É santo o que achamos profano?

A maneira de olharmos as pessoas, a ótica com que analisamos as coisas do Reino podem, e principalmente se carregada de religiosidade, nos conduzir a uma postura de rejeição e não de acolhimento, de manifestação de compaixão, mas, de rejeição do que a obra de Cristo na cruz fez para salvar e resgatar.

Pedro em Atos, no capítulo dez, teve uma experiência quanto a sua perspectiva religiosa e considerava o evangelho somente para o povo judeu e não para todos os povos, por isso o Senhor o conduziu a uma experiência para que mudasse seu entendimento. Nesta visão foi lhe mostrado animais impuros (segundo a lei) que não poderiam ser comidos, mas que foi lhe dada uma ordem para que comesse.

Podemos ler sobre isso, do versículo treze ao dezesseis: “Então Pedro ouviu uma voz, que dizia: — Pedro, levante-se! Mate e coma! Pedro respondeu: — De jeito nenhum, Senhor! Eu nunca comi nenhuma coisa que a lei considera suja ou impura! A voz falou de novo com ele: Não chame de impuro aquilo que Deus purificou. Isso aconteceu três vezes. Em seguida a coisa que parecia um lençol foi levada de volta para o céu.” (Atos dos Apóstolos 10.13–16, NTLHE). Depois da visão, quando chegam a casa onde estava as pessoa que deveriam acompanhar, o Espírito Santo determina que vá com eles. Isto está nos versículos dezenove e vinte:  “Pedro ainda estava pensando na visão, quando o Espírito Santo disse: — Escute! Estão aí três homens procurando você. Agora apronte-se, desça e vá com eles. Vá tranquilo porque fui eu que mandei que eles viessem aqui.” (Atos dos Apóstolos 10.19–20, NTLHE).

Muitas vezes por desconhecimento e ignorância, não entendemos o evangelho e olhamos, também na mesma ótica religiosa e achamos que devemos tratar as pessoas como impuras, e assim, como santos que somos, não podemos nos misturar e nem nos preocupamos em levar o evangelho, o reino até elas. Queremos que elas saiam de onde estão e venham ao nosso encontro, pois não podemos nos contaminar. Não foi essa a atitude do Senhor Jesus.

Este é um pensamento religioso e equivocado, carregado de ignorância quanto a vontade de Deus e o nosso papel neste mundo como Igreja, como Corpo de Cristo. É nossa responsabilidade considerar tudo santo e santificado pela palavra de Deus e nos movermos em favor das pessoas para restaurar a visão e libertar os oprimidos, pois a liberdade já foi proclamada por meio da obra de Cristo. Temos o papel e a responsabilidade de entrar em todos os cantos e todos os lugares para resgatar e salvar as pessoas de sua ignorância quanto a vontade de Deus. O que achamos profano, pode ser santo e não é o nosso papel excluir ou rejeitar quem quer que seja segundo a nossa perspectiva religiosa.

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