A justiça divina, o juízo santo e o falso uso da graça
Podemos até imaginar que a ira de Deus contra o pecado e o destino reservado aos que permanecem na incredulidade seja injusta, como levantam algumas objeções humanas em Romanos 3.5–8. No entanto, como o próprio texto deixa claro nos versículos 5 e 6, a justiça de Deus é incontestável, necessária e o fundamento do juízo universal, independentemente das críticas que possam ser feitas.
“Mas, se a nossa injustiça evidencia a justiça de Deus, que diremos? Seria Deus injusto por aplicar a sua ira? Falo em termos humanos. É claro que não. Do contrário, como Deus julgará o mundo?” (Romanos 3.5–6 NAA)
Deus não se torna injusto ao julgar o pecado, porque Ele jamais aprova o mal. Mesmo governando todas as coisas soberanamente, o Senhor permanece santo. Ele é o Juiz universal e Seu direito de julgar não depende da lógica ou da coerência humana, mas do Seu caráter perfeito e imutável. À luz das Escrituras, e não das nossas opiniões, fica claro que os fins não justificam os meios. O pecado não pode ser moralmente aceito nem relativizado, ainda que, de alguma forma, revele a glória de Deus. Por isso, não podemos praticar o mal esperando que disso venha o bem. A graça nunca autoriza o pecado; pensar assim revela uma compreensão distorcida do evangelho.
Não devemos relativizar o pecado, pois a desobediência não pode ser santificada pela rebeldia. Mesmo quando não compreendemos plenamente os caminhos de Deus, somos chamados a confiar no Seu juízo, pois Ele jamais age de forma injusta. Não podemos culpar a Deus pelo pecado, já que a responsabilidade é pessoal. Pela graça, o evangelho nos faz reconhecer o pecado e nos chama a viver com temor reverente diante do Criador, não em licenciosidade moral. Vivemos pela fé, dependentes da graça que nos conduz à santidade.
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