Não chegando a lugar algum

Na maioria das vezes, confundimos fazer a coisa certa, da forma correta, com o fazer muito. Não necessariamente por estarmos correndo quer dizer que alcançaremos, pois podemos muitas vezes estar correndo como uma “barata tonta”, isto é, correndo de um lado para outro sem qualquer direção que possa nos levar a algum lugar, não que não tenhamos um objetivo em mente.

Quanto ao reino de Deus não é diferente. Não se trata de fazermos, de corrermos, de compreendermos onde precisamos chegar, mas é ter a certeza, a convicção de que o que estamos fazendo está fundamentado no princípio correto.

Precisamos compreender que não se trata de fazer as coisas para o reino de Deus, de procurar cumprir os mandamentos, mas, da motivação que nos leva a querer fazer o que estamos fazendo.

Assim como foi com os israelitas, podemos estar agindo da mesma maneira. Não fazemos por fé, mas queremos nos justificar, fazer as obras para mostrar que temos o “direito” de ter a vida eterna. Podemos estar obedecendo para que não sejamos punidos por nossos delitos. Ou fazemos porque queremos alcançar as benesses de Deus. E fazer assim, é que nem querer a justificação por meio de obras, como tentaram fazer os israelitas e mencionado por Paulo em sua carta aos romanos, no capítulo 9, dos versos 30 ao 32, que diz: “Que diremos, então? Os gentios, que não buscavam justiça, a obtiveram, uma justiça que vem da fé; mas Israel, que buscava uma lei que trouxesse justiça, não a alcançou. Por que não? Porque não a buscava pela fé, mas como se fosse por obras. Eles tropeçaram na ‘pedra de tropeço’”. (Romanos 9:30-32, NVI)

E o fundamental disto tudo é que faziam com zelo, mas um zelo que não se baseava no conhecimento de Deus e sim no desejo de suas mentes, como podemos ler no capítulo 10, nos versos 2 e 3:  “… mas o seu zelo não se baseia no conhecimento. Porquanto, ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se submeteram à justiça de Deus. Porque o fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê.”. (Romanos 10:2-3, NVI)

E nós? Compreendemos quem somos? Compreendemos de fato a justificação pela fé? Temos o entendimento, mas questionamos o porque fazemos as obras que temos feito? Estamos fazendo para alcançar ou porque já temos, já recebemos e o propósito é revelar Aquele que nos justificou?

Não podemos correr sem direção, sem compreender a nossa origem, pois entendendo a origem, de onde viemos, então sabemos aonde chegar, mas mais que isto, como chegar. Por isso, tendo a consciência que fomos justificados pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo Jesus e feitos filhos de Deus, habilitados e capacitados para as boas obras, devemos rejeitar todo o procedimento que tem origem no pensamento do  homem, santificando os nossos atos, vivermos neste mundo como filhos de Deus.

Fazemos as obras de Deus não para nos justificar, mas, porque fomos justificados e recebemos o poder para viver neste mundo como o nosso Deus perante os homens, fazendo as obras Dele para que Ele seja glorificado e para que os homens ao verem as nossas boas obras glorifiquem o Pai.

Fazendo assim, caminhando rumo ao alvo, que é Cristo Jesus, fundamentados na motivação correta, estaremos andando como filhos e revelando o reino e fazendo a vontade do Pai como é do Seu desejo, conscientes que fomos justificados por fé e não por nossas obras.

https://soundcloud.com/sdt_vigilato/nao-chegando-a-lugar-algum