Paulo em sua carta aos romanos afirma: “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus.” (Romanos 12:1, NTLH).
Primeiramente ele fala de fazermos uma oferta, mas é mais profundo que uma oferta como temos entendido na prática. Queremos oferecer coisas: oferecemos um louvor, oferecemos as nossas orações, mas é isto que ele pede? Não, Não se trata de oferecermos coisas a Deus. Precisamos entender que Ele se agrada do nosso louvor, de nossas orações, mas devemos nos oferecer e oferecer a nossa vida, nos colocarmos diante do Seu trono, por inteiro, corpo, alma e espírito como uma oferta agradável, como instrumento de manifestação da Sua justiça. Temos que compreender que não oferecemos coisas, mas nos oferecemos por inteiro. Esta é a oferta que agrada a Ele. Mas… como nos oferecemos a Ele?
Outro ponto que precisamos lembrar é o que está escrito no livro de Malaquias, quando fala: “O Senhor Todo-Poderoso diz aos sacerdotes: — O filho respeita o pai, e o escravo respeita o seu senhor. Se eu sou o pai de vocês, por que é que vocês não me respeitam? Se eu sou o seu senhor, por que não me temem? Vocês me desprezam, mas mesmo assim perguntam: “Como foi que te desprezamos?”” (Malaquias 1:6, NTLH). Embora falando aos sacertodes de Israel, como isto se aplica a nós? Podemos ofender ao Senhor em nossos dias com as nossas ofertas? Na época de Malaquias ofendiam, pelo que colocavam como oferta, como podemos ler: “E me ofendem também porque pensam que não faz mal me oferecerem animais cegos, aleijados ou doentes. Pois procurem oferecer um animal desses ao governador! Acham que ele o aceitaria com prazer e atenderia os seus pedidos? …” (Malaquias 1:8-9, NTLH).
Podemos oferecer diante do trono de Deus a nossa vida e ela não ser agradável diante Dele? Vamos entender, primeiramente, que a nossa oferta não é para recebermos algo, não é para nos abençoar, mas é decorrente da bênção já recebida, da justiça já estabelecida. Não oferecemos para receber, mas, porque já recebemos, já fomos abençoados. Mas mesmo assim, podemos não ser agradáveis diante do Pai? Sim, podemos, pois o princípio da oferta pode estar equivocado. Lemos equivocadamente a lei também, pois as ofertas não eram para receber, não eram para serem abençoados, mas, decorrente do ato de já terem sido abençoados que deveriam colocar as suas ofertas diante do trono de Deus. Ofereciam os dízimos e ofertas daquilo que já tinha recebido e não por aquilo que iriam receber, entendemos isso?
A mesma coisa é em nossos dias. Oferecemos não para receber, não para sermos abençoados, mas, porque já recebemos e já fomos abençoados. Não oferecemos coisas, mas, a nossa vida, o nosso corpo, a nossa alma e espírito, tudo a Deus, para que Lhe seja um instrumento útil, agradável a Ele e que possa ser usado para a Sua glória e virtude.
O Senhor pode não se agradar de nós, quando achamos que podemos fazer as coisas sem Ele, separados e não dependentes, como João escreve em sua carta a igreja de Laodicéia, “Eu sei o que vocês têm feito. Sei que não são nem frios nem quentes. Como gostaria que fossem uma coisa ou outra! Mas, porque são apenas mornos, nem frios nem quentes, vou logo vomitá-los da minha boca. Vocês dizem: ‘Somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos.’ Mas não sabem que são miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos. Portanto, aconselho que comprem de mim ouro puro para que sejam, de fato, ricos. E comprem roupas brancas para se vestir e cobrir a sua nudez vergonhosa. Comprem também colírio para os olhos a fim de que possam ver. Eu corrijo e castigo todos os que amo. Portanto, levem as coisas a sério e se arrependam. Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos.” (Apocalipse 3:15-20, NTLH).
Nos oferecemos a Deus quando compreendemos quem somos, que não somos indivíduos, que não estamos sozinhos, que não podemos viver de forma egoísta, que não podemos “cuidar da nossa vida”. Temos um compromisso uns com os outros, temos um compromisso com o corpo, somos responsáveis pelas vidas uns dos outros, temos a função de trabalhar pela edificação do corpo, servindo uns aos outros, pois é assim que servimos a Deus.
Deus tem prazer em nossa vida quando compreendemos estas coisas simples e básicas de nossa vida no Seu reino. Não se trata de oferecer para receber, nem de fazer para ser alguma coisa, muito menos para termos o reconhecimento e o mérito, trata-se de reconhecermos que somos o que a bíblia diz que somos. Reconhecemos isto pela fé, cremos nisto porque Deus falou, crer que recebemos não porque merecemos, porque somos dignos, porque fizemos algo, mas somos, porque Deus fez, porque Deus deu, porque Ele nos transformou. E agora, fazemos porque Ele nos fez, nos capacitou, nos deu o que precisamos para viver uma vida que Lhe agrada. Oferecemos as nossas vidas, como oferta de gratidão por termos recebido. Oferecemos nossa vida quando nos dispomos a viver conforme Lhe agrada, fazendo as Sua obras como é natural por aquilo que Ele fez. E fazemos, não porque damos conta, mas, porque dependemos da graça que nos educa, nos habilita para vivermos uma vida segundo os Seus valores eternos.
A verdadeira oferta a Deus está em colocarmos nossas vidas em Suas mãos, como instrumento de justiça (equidade), para repartir a vida de Deus com todos os homens, levando a todos os homens o Seu conhecimento, sendo instrumentos para edificação da igreja, para o crescimento do corpo, para revelarmos a Sua glória e majestade entre todos os homens. A verdadeira oferta é quando não abrimos mão da verdade eterna, da vida recebida de Deus, para vivermos uma vida na carne como o pensamento egoísta deste mundo. Vivemos para servir, para servir aos outros e não aos nossos interesses e desejos. Sermos capazes de abrir mão de nossa vontade para que o corpo seja edificado, para que haja a expressão e manifestação da vida de Deus através da igreja, o corpo de Cristo. Esta é a verdadeira oferta que podemos dar a Deus, pois é isto que Lhe agrada, a Sua vontade se cumprindo aqui na terra por meio de Seus filhos.