Confiar e amar

 Porque quando confiamos, nós criamos expectativas, nós esperamos algo. E ninguém é capaz de responder a nossas expectativas. Devemos sim, compreendendo a natureza de Deus e a sua vontade, amar as pessoas e nos movermos por elas para que conheçam da verdadeira vida de Deus. O intuito é aprendermos a dar e não a esperar que façam por nós. Quando confiamos, queremos que as pessoas respondam conforme pensamos, quando não respondem conforme esperamos, nós ficamos magoados, ofendidos, e não somos capazes de amar. Deus deseja levar nos em outra direção. Ele quer o nosso amadurecimento, a nossa liberdade plena prometida por Jesus Cristo.

 Devemos aprender que a nossa dependência, em quem devemos fiar é somente em Deus. As pessoas são objetos, destinos, receptores, da vida que recebemos de Deus. Nosso papel é oferecer vida, consolo, esperança, para que aprendam a caminhar e não esperar que atendam as nossas expectativas e desejos.

Este processo de aprendizagem de confiança em Deus é a jornada que temos que passar. As tribulações as dificuldades são para isso, o exempo de Jesus é para que aprendamos agir. Agir em favor das pessoas na dependência de Deus. Não confiarmos em nós, e nem em ninguém que não seja Deus.

Jesus na ceia, dia que antecedeu a sua crucificação, comeu com quem iria abandoná-lo, e com quem o traiu; isto porque confiava na obra do Pai, e não nas pessoas que ali estavam; e nós teríamos a mesma atitude que ele? Mesmo ciente disto, Ele fez o que era da vontade do Pai. Pois sabia que o que tinha para ensinar seria recebido e aprendido pelos discípulos. Aprenderam, tanto, que ao observamos o evangelho de João, podemos ver que neste dia estão os ensinamentos mais profundos de Jesus.

José no Egito, viveu também a condição de aprender a confiar em Deus. Precisamos aprender a colocar nossa confiança, sermos dependentes inteiramente do Deus que nos dá a vida. Esta é a sua vontade. Não é uma jornada fácil, mas temos que percorrer se desejamos ser instrumentos de Deus para alcançar as pessoas, expressando o amor de Deus que é derramado pelo Espírito em nossas vidas.

Na situação de José, quando preso, depois de interpretar o sonho do copeiro e do padeiro, ele fala o seguinte para o copeiro: “Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra. ” (Gênesis 40:14-15), mas o que o copeiro fez? “O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu.” (Gênesis 40:23).

Quando foi que o copeiro se lembro de José? Quando o faraó teve o sonho e ninguém conseguia interpretá-lo. O que acontece então? O copeiro se lembra de José, faraó o chama a sua presença, e então, José interpreta o sonho e faz uma recomendação para o faraó, conforme a seguir: “Agora, pois, escolha Faraó um homem ajuizado e sábio e o ponha sobre a terra do Egito. Faça isso Faraó, e ponha administradores sobre a terra, e tome a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. Ajuntem os administradores toda a colheita dos bons anos que virão, recolham cereal debaixo do poder de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem. Assim, o mantimento será para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito; para que a terra não pereça de fome. ” (Gênesis 41:33-36).

O que o faraó  decide? “O conselho foi agradável a Faraó e a todos os seus oficiais. Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu. Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.” (Gênesis 41:37-41, BEARA)

Por que José passou por tudo isso? Por que todos estes anos padeceu pelo que não foi culpado? Foi vendido como escravo pelos irmãos, foi escravo no egito, ficou muitos anos na prisão sem ter culpa de nada. Como reagiríamos? Podemos pensar que foi fácil para José? Não, não foi, podemos ver isso pelo pedido que fez ao copeiro.

O que precisamos aprender? O propósito de Deus. Precisamos entender que não existe “desgraça” nas nossas vidas. Não existe espaço para o temor, não existe espaço para a dúvida. O propósito e a vontade de Deus é nos preparar para sermos seus instrumentos, expressão da sua graça, do seu amor. É para manifestarmos a sua vida entre os homens. É para revelarmos quem ele é.

Confiamos em Deus, não, quando nos convertemos, quando entregamos nossas vidas a Deus, nós não confiamos nele. Mas ele nos conduz em um processo que antecede a nossa conversão no conhecimento. Isto aprendemos pelas palavras que ouvimos, pelas experiências que passamos. Deus trabalha as nossas vidas, nos ensinando a confiar nele. Passamos por tribulação, para adquirirmos experiência. Esta experiência gera em nós perseverança, e esta perserverança, leva nos a esperança, a certeza que Deus está no controle de todas as coisas. Cada experiência, cada tribulação, sempre nos leverá a um passo a frente, a uma barreira maior a transpor.

Por isso, fomos criados em Cristo Jesus, feitos novas criaturas, para aprendermos a confiar em Deus, e a expressarmos o amor de Deus a todos os homens, independente, de condição social, de ser amigo ou inimigo, de ser um opressor ou não, de ser agradável ou não. Amamos as pessoas porque compreendemos e confiamos no amor que Deus tem por nós. Confiamos nas suas promessas, do que nos concedeu, na certeza que a sua vontade é a melhor para as nossas vidas.