Nossa concepção de ser cristão está tão equivocada que parece que não tem nada a ver com os exemplos que extraímos do novo testamento, muito ao contrário, o que pensamos e desejamos parece mais com os religiosos da época de Jesus com relação ao que buscavam e a expectativa que tinham sobre como deveriam ser tratados e viver entre os homens.
Pensamos em bem estar, sermos reconhecidos, ter um padrão de vida elevado, colocamos o nosso coração e todo o nosso entendimento na busca de nossos sonhos ou mesmo usamos as pessoas para que possamos manter os nossos desejos.
A questão não é o que temos e nem como vivemos, mas a motivação que tem nos movido e o quão importante é o reino de Deus para nós e se de fato o priorizamos em nossa vida. Quando falamos de priorizar estamos afirmando quanto a vivermos segundo os valores eternos, segundo as virtudes do Criador, revelando-O em tudo o que fazemos.
Na vida de Paulo, temos um testemunho ímpar, de uma pessoa que escolheu viver a função que Deus lhe atribuiu de forma plena e que nos dá um vislumbre do que seja viver o reino na sua plenitude comparado com o que muitas vezes desejamos.
Na carta aos Coríntios, no capítulo 11, dos versos 23 ao 27 ele fala sobre como vivia no processo de cumprir o seu papel, como podemos ler: “São eles servos de Cristo? _ estou fora de mim para falar desta forma _ eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fique sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em Jejum; suportei frio e nudez.” (2 Coríntios 11:23-27, NVI)
Não se trata de vivermos da mesma maneira, mas, da motivação que nos move neste mundo e de como escolhemos. Vivemos no nosso dia a dia o reino, priorizamos os valores eternos, colocamos a vida do próximo à frente de nossos desejos? Ou o que nos move são interesses pessoais e egoístas? Os nossos sonhos são voltados para suprir as nossas carências e nossos desejos ao invés de revelarmos o reino de Deus.
No fundo precisamos refletir sobre o evangelho que temos pregado (através de nossas ações) no nosso viver e julgar este evangelho à luz do que fala a palavra de Deus, para então, arrependermos e voltarmos para o que seja de fato a Sua vontade para nós e a tradução plena em ação do significado de buscar o Seu reino em primeiro lugar e vivermos neste mundo segundo a capacitação recebida pelo Espírito Santo para cumprirmos a vontade de Deus entre os homens.
https://soundcloud.com/sdt_vigilato/o-que-deveria-esperar-um-cristao