É apregoado de modo geral que a medida de sucesso no trabalho que se realiza em favor do reino de Deus é traduzida segundo os valores e pensamentos deste mundo. Mas é de fato assim? Somos bem sucedidos pela quantidade de pessoas que nos seguem, que participam do nosso ministério? Pelos recursos financeiros ao nosso dispor? O que significa ter um ministério bem sucedido? O que significa servir a Deus e ao Seu reino? Como e pode ser medido o sucesso?
Quando olhamos o ministério de Paulo, podemos observar lutas, problemas, dificuldades, aflições, parecendo algo mais carregado de fracasso que realmente uma medida de sucesso, um peso que um motivo de alegria, como ele expõe na sua segunda carta aos Coríntios, no capítulo seis, dos versos quatro ao dez, que diz: “Ao contrário, como servos de Deus, recomendamo-nos de todas as formas: em muita perseverança; em sofrimentos, privações e tristezas; em açoites, prisões e tumultos; em trabalhos árduos, noites sem dormir e jejuns; em pureza, conhecimento, paciência e bondade; no Espírito Santo e no amor sincero; na palavra da verdade e no poder de Deus; com as armas da justiça, quer de ataque quer de defesa; por honra e por desonra; por difamação e por boa fama; tidos por enganadores, sendo verdadeiros; como desconhecidos, apesar de bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo, mas eis que vivemos; espancados, mas não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo muitos outros; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2 Coríntios 6:4-10, NVI).
E se olharmos o ministério de Jesus parece uma completa derrota. Doze discípulos e na hora “h”, estes o abandonam. Quando olhamos o resultado de trabalhos de pessoas que se colocaram à disposição, se ofertaram em favor do reino de Deus, o que vemos é uma, na sua maioria, aparente derrota e fracasso.
Mas qual a medida de sucesso que Deus assegura? Nenhuma, segundo os valores e pensamentos deste mundo. Tratar e lidar com pessoas é uma luta permanente, é uma ação de lembrar cada um sempre de quem são, do porquê estão neste mundo, qual a razão do seu viver, caso contrário cada um se perderá em divagações e ensinos que em nada traduz o reino.
Formar pessoas a compreenderem a nova realidade a que foram inseridas como cidadão do reino de Deus, ao entendimento de novas criaturas que são, que agora não são mais pessoas naturais, mas, espirituais, que receberam o poder e autoridade para viverem neste mundo como embaixadores, representantes do reino de Deus, que devem revelar o Deus que conhecem por meio das suas ações e palavras, não é uma jornada que acontece de vento em popa, de uma vida sem problemas e sem aflições, sem lutas, sem sofrimento e muita dor.
Servir o reino, servir às pessoas se traduz em uma vida de muita luta, privação e problemas. É uma vida de abdicação, de abrir mão das escolhas pessoais, de ser uma oferta, uma libação em favor das vidas para que cheguem ao conhecimento de Deus, ao amadurecimento, a maturidade, a semelhança como o Senhor Jesus.
Que possamos aprender a nos alegrar no serviço que realizamos em favor das pessoas, mesmo que pareça tudo perdido, cheio de aflição, pois a semente plantada germinará e dará o fruto que precisa para o reino. É nosso papel nos colocarmos e nos oferecermos a Deus como instrumentos para que a Sua vontade se cumpra por nosso meio. E a Sua vontade não necessariamente se expressa na medida de sucesso segundo os valores e pensamentos deste mundo. Precisamos entender que plantamos, regamos e colhemos, mas o crescimento só Deus consegue.
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