Quando perguntamos a nós mesmos: “o que Deus deseja?”, normalmente nos voltamos para ações, obras, realizar serviço com o intuito de aliviar a nossa consciência, ou tentar nos levar a crer que com o nosso “bom serviço”, com a nossa “boa obra” realizada Deus se alegrará, perdoará o nosso pecado e nos concederá o que queremos e o que precisamos para ter uma vida plena e abundante .
Mas, são destas coisas que Deus se alegra? Não, Davi, no Salmo 51, nos versos 16 e 17, diz no que Ele se alegra: “Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, senão eu os traria. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” (Salmo 51:16-17, NVI).
Espírito e coração quebrantado e contrito. O que significa quebrantado e contrito? Quando não existe qualquer raiz de arrogância, orgulho, nenhum sentimento que pode fazer algo para reparar o erro, o pecado cometido. Implica no ato de humildade, reconhecimento de miserabilidade, incapacidade de poder fazer algo em prol de nós mesmos, é o reconhecimento da nossa realidade diante do Criador, da nossa incapacidade de poder fazer algo por nós. É como Jesus disse em Mateus, no capítulo 5, “bem aventurado o humilde (pobre de espírito), pois dele é o reino de Deus”. Quando reconhecemos nossa condição perante o Criador, que nós, por nós mesmos, não podemos fazer nada em nosso favor, então estamos à disposição do Criador para que Ele faça e aja, pois Nele encontramos os verdadeiros tesouros que nos concede vida.
Quando nos colocamos assim, diante Dele, existe esperança. Esperança de vida, de conhecer a vida de Deus, de receber Dele a vida eterna, a Sua vida que nos renova, que nos sustenta.
E diante deste fato, passamos a reconhecer nosso pecado e que não podemos dominá-lo, mas somos escravos dos nossos desejos e vontade, com o Davi, menciona no salmo 51, dos versos 3 ao 5: “Reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci; sim, desde que me concebeu minha mãe.” (Salmo 51:3-5, NVI). Por isso, ele pede a Deus um coração novo, como está no verso 10: “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.” (Salmo 51:10).
Quando nos colocamos nas mãos de Deus, quando nos entregamos a Ele, reconhecendo que somente Ele pode restaurar a nossa vida, nos conceder da verdadeira vida, e que ela nos é dada por meio de Cristo Jesus, que Ele na cruz, cumpriu a justiça de Deus, e nos libertou do domínio do pecado, nos fez nova criatura e nos deu um novo coração, coração segundo a natureza do Criador.
Precisamos entender que a salvação, a reconciliação, não depende do que nós podemos fazer, mas do Cristo fez por nós na cruz, por isso a salvação é uma ato de Deus em nosso favor, é por Sua graça que somos salvos por meio da fé em Cristo Jesus que nos libertou do domínio do pecado.
Quando nos submetemos a Deus compreendendo isso, ou quando nos lembramos de que a nossa salvação tem origem em Deus, na Sua obra, na Sua oferta de amor em nosso favor, então, podemos dizer como o Davi: “Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.” (Salmo 51:12, NVI).
O nosso Deus, quando reconhecemos isso, quando compreendemos que Ele nos concedeu do Espírito Santo, que veio habitar em nós e é Ele quem nos capacita para vivermos segundo a Sua vontade, que derrama de forma abundante o poder e vida de Deus, e compreendemos que somos filhos, embaixadores do reino de Deus, que somos reconciliadores dos homens com Deus, então, nossa atitude será de agirmos como Ele perante os homens, pois compreendemos, como Davi, qual deve ser a nossa função, o nosso papel e assim, como ele fala no verso 13, sermos expressão e ensinarmos os caminhos de Deus aos homens: “Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores, para que os pecadores se voltem para ti.” (Salmo 51:13,NVI).
Que possamos compreender e viver, reconhecendo que não podemos fazer nada por nós mesmos, mas dependemos inteiramente de Deus para viver uma vida que Lhe agrada e para podermos agir como Ele perante os homens, levando, revelando e manifestando por meio de obras e palavras a Sua justiça. Lembrando sempre das palavras de Francisco de Assis: “Devemos pregar o evangelho, se necessário, falar.”.
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