Um coração preso

Como podemos avaliar o quanto somos livres das “coisas” deste mundo e o quanto temos de fato acumulado “tesouro” nos céus?

A única forma de fazermos isso é quando analisamos as nossas decisões e como as tomamos sobre o reino de Deus e sobre o que fazer. Quando lemos a história de Demétrio e a questão do trabalho de Paulo na região de Éfeso, o templo da deusa Ártemis, nós somos capazes de criticar o seu posicionamento, pois vemos claramente que ele não estava preocupado com a deusa ou o seu templo, mas, com a perda de lucro, como podemos ler em Atos no capítulo 19, dos versos 25 ao 27: “convocando-os juntamente com outros da mesma profissão, disse-lhes: Senhores, sabeis que deste ofício vem a nossa prosperidade e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas.  Não somente há o perigo de a nossa profissão cair em descrédito, como também o de o próprio templo da grande deusa, Diana, ser estimado em nada, e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram.” (Atos 19:25-27, RA).

Somos capazes de enxergar na vida dos outros esta situação, mas e na nossa, no que vivemos, nas decisões que tomamos, como temos agido? Temos tido a mesma reação de Demétrio, ou agimos da maneira que a vontade de Deus se concretize? Estamos preocupados com as pessoas para que estejam alinhadas com o reino de Deus, ou nos preocupamos mais com o que elas podem nos oferecer? E todas as nossas ações, ou palavras que direcionamos às mesmas estão voltadas para assegurar os nossos interesses?

Quando olhamos a vida de Paulo, ele tinha consciência que dependia da oferta dos irmãos para que o seu ministério pudesse ser realizado, quando não havia o suprimento, ele trabalhava para se sustentar, mas nunca deixou de falar e ensinar o que o Senhor dele pedia. Mas, nos nossos dias, com esta estrutura pesada que criamos, com a necessidade de recursos que temos, com as exigências de “sobrevivência”, e claro, como precisamos das ofertas e dízimos, o que temos feito?

Este é o ponto que sempre precisamos avaliar e nos julgar quanto ao que temos nos comprometido. Estamos dispostos a sacrificar os recursos em favor de um direcionamento claro da vontade de Deus, ou temos negociado, amenizado e até mesmo nos deixado corromper por causa da perda financeira que podemos ter? Nos preocupamos com o não crescimento da congregação ou com o seu esvaziamento? Precisamos refletir sobre estas coisas e o que temos feito nos nossos dias e o que tem pesado em nosso coração.  Usamos de artifícios, recursos que tem por objetivo atrair mais pessoas por causa dos recursos que podem entregar ou por causa da mensagem que temos que levar adiante?

A motivação do nosso coração não pode ser medida pelo que fazemos. Somente Deus e nós somos capazes de julgá-la corretamente. Que possamos nos posicionar em favor do reino, fazendo e obedecendo a vontade do Senhor, entregando uma mensagem alinhada com a vontade do Pai, por meio das nossas palavras e ações, para que Ele seja glorificado, para que a nossa luz brilhe, para que os homens vejam as boas obras e glorifiquem a Deus.

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