Sede sal – não vingar

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. ” (Mateus 5:38-42, BEARA)

Quem é nosso vingador? Quem é nosso justificador? Quem zela por nós? Qual foi o seu princípio de vida? Por que não devemos nos vingar das atitudes das pessoas com relação a nós? Por que devemos fazer mais do que nos pedem? Por que podemos pensar que somos tolos quando fazemos o que Jesus determinou que fizéssemos?

Na carta aos filipenses, temos a seguinte mensagem: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Filipenses 2:5-8, BEARA).

Por que o Senhor fez isso? Por que Ele aceitou a morte? Ele que era o Deus não poderia simplesmente acabar com tudo? Sim. Ele poderia, mas, Ele fez? Não, não fez. Por que? Precisamos entender que a sabedoria de Deus, os princípios de Deus, os valores, e a natureza divina não tem nada a ver com a nossa natureza humana. O natureza divina é regida pelo amor, pela manifestação de graça (favor imerecido), pela misericórdia, por compaixão.

Quando o Senhor proferiu as palavras acima, Ele queria nos falar dessa natureza, e que revelássemos a mesma natureza em nossos relacionamentos. Se somos dos que praticam o “olho por olho”, se “não levamos desaforo para casa”, “se não engolimos sapo”, não entendemos o que o Senhor quer para nós e qual o nosso papel nesse mundo.

Se é para amarmos, se é para termos compaixão pelas vidas, se é para distribuirmos graça, ou seja, revelar o nosso Deus através das nossas vidas; então, a nossa atitude deve ser diferente do que o mundo faz e espera que façamos. Se o mundo pensa em primeiro atender a suas necessidades; no reino de Deus, temos, por causa do amor, atender primeiramente a necessidade dos outros.

Quando não revidamos uma atitude, mas revelamos graça, amor e compaixão, as pessoas serão quebrantadas, e verão essa graça sendo transbordada e compreenderão que Deus está em nosso meio. Quando alguém exige algo e nós somos capazes de fazer mais que foi pedido, haverá revelação de graça, quando alguém nos maltrata, nos ofendem e nós revidamos com amor, haverá, como Paulo escreveu, um amontoar de brasas sobre a cabeça dessa pessoa.

A melhor maneira de desarmar os ânimos, de quebrar barreiras, é quando somos capazes de absorver os golpes e não seguirmos a lei de newton, revidando com a mesma força. Mas se somos capazes de absorver e devolver graça, amor, e compaixão pelas vidas, estamos sendo sal nessa terra e revelando quem é o nosso Deus.

Devemos agir assim, não porque somos tolos, ou porque temos medo; mas simplesmente, porque queremos ser instrumento de Deus, queremos ser aqueles através dos quais Deus alcança a todos com a sua graça, seu amor, sua bondade, sua misericórdia, sua compaixão; pois tudo isso é derramado em nossas vidas pelo Espírito Santo, que em nós fez morada. Por sermos templos de Deus, devemos revelar a natureza de Deus para com todos os homens sem qualquer tipo de exeção, sem limites, sem restrição; pois o nosso Deus fez muito mais que podemos imaginar por cada um de nós, ao nos resgatar do poder do pecado.