Tendo sido traído por seus discípulos, sendo que Judas o vendeu, Pedro o negou e os demais o abandonaram, Ele se ofereceu em favor destes e de todos os outros que ainda viriam. Uma oferta não baseada na recompensa, no retorno, mas uma oferta, uma expressão de amor para salvar e resgatar aqueles que estavam presos pelo domínio do pecado, cegos diante de suas realidades, mortos e separados de Deus.
Jesus ofereceu o seu corpo em favor de todos, em favor daqueles discípulos e inclusive nós, não porque merecemos, mas por expressão de amor em favor dos homens como podemos ler quando ele celebra a ceia, onde afirma que também, foi traído.
A celebração da ceia, na noite que foi traído, podemos ler em Marcos, no capítulo 14, do verso 22 ao 24: “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomem; isto é o meu corpo’. Em seguida tomou o cálice deu graças, ofereceu-o aos discípulos, e todos beberam. E disse-lhes: ‘Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos.’” (Marcos 14:22-24, NVI)
Logo após a ceia, sabendo que tinha sido traído por Judas, com quem também, celebrou a ceia, no verso 27, fala que seria abandonado e na sequência que Pedro o negaria: “Disse-lhes Jesus: vocês todos me abandonarão. Pois está escrito ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas’.” (Marcos 14:27, NVI)
Jesus tinha consciência da traição e mesmo assim, como expressão de amor por nós, ofereceu a si mesmo para que alcançássemos o perdão e a salvação de Deus.
Será que concebemos a ideia de expressar amor mesmo na traição? Por que ficamos ofendidos com a traição? Pelo simples fato de acharmos que somos merecedores e dignos de algo. Porque tudo que fazemos tem o propósito de recebermos retorno, porque achamos que as pessoas nos devem algo e principalmente porque não temos compreensão do amor de Deus em nosso favor.
Quando compreendermos a atitude de Jesus, sua oferta de amor e expressão da vontade do Pai, de se sujeitar a esta vontade, não pelo merecimento dos homens, mas simplesmente, como uma oferta de amor, um sacrifício para que a vontade do Pai fosse cumprida e para que nós pudéssemos ter acesso a Deus, então, como Paulo escreveu na carta aos Romanos, nós também, nos ofereceremos a nós mesmos, nossos membros, tudo que somos, para que as pessoas possam conhecer a Deus.
Fazemos não porque as pessoas merecem, mas sim, porque nós nos sucumbimos ao amor do Pai, fazemos não porque teremos a recompensa dos homens, mas porque recebemos de Deus o que não éramos dignos. Oferecemos, como próximo do outro, para que Ele também possa alcançar a salvação e a reconciliação, sendo libertos do poder e domínio do pecado, para que possam ver.
Nossa oferta não depende do outro, ou do que possam fazer por nós, mas única e exclusivamente de compreendermos o amor que recebemos de Deus, o quanto fomos abençoados e que precisamos levar este Deus e a Sua vida aos homens que ainda não a obtiveram.
Por isso é importante rejeitarmos toda a natureza humana, negarmos a nós mesmos e na convicção da habilitação recebida pelo Espírito Santo, vivermos neste mundo como agrada a Ele, santificando o nosso procedimento, em favor dos homens, para que ajamos como Deus perante os homens, manifestando a graça e o amor recebidos, pois podemos ter a certeza que traídos sempre seremos, mas não agimos ou deixamos de agir por causa da traição, mas, do amor de Deus que opera em nós em favor das pessoas.