Quando nos preocupamos mais com o resultado do que com o processo para se chegar ao mesmo, quando nos preocupamos mais com a aparência, com a posição que com a função, quando olhamos a quantidade em detrimento da qualidade é hora de repensarmos o que estamos fazendo, é o momento de removermos os entulhos que fomos colocando sobre o fundamento da igreja que é Cristo Jesus, é hora de revermos o que estamos fazendo.
Cobramos as pessoas pelos resultados, pelas suas ações, mas esquecemos de cumprir o nosso papel como modelo, exigimos dos outros, mas não nos dispomos a rever o que estamos fazendo. Somos críticos dos outros, mas não vemos as nossas falhas. Cobramos que os outros façam, mas estamos sendo indolentes com a nossa vida espiritual, com o nosso processo de amadurecimento.
Com o intuito de acharmos que estamos resolvendo os problemas, atribuímos e concedemos às pessoas, cargos, achando que elas responderão como deveria para resolver o problema, novamente entre a questão do resultado e não do processo.
Tudo isso tem muita a ver com o perdermos a essência do que seja vida de igreja. Quando abandonamos os princípios, falhamos. Queremos mudança nos resultados, mas não queremos mudar a forma de se fazer as coisas.
Precisamos compreender que o fundamento para uma vida de qualidade na igreja é o resultado não de ações, mas de exemplo, modelo, foco em uma vida espiritual que traduza a vontade e o querer de Deus para a nossa vida.
Quando Paulo escreve a Timóteo para que ordenasse líderes na igreja e determinou as condições para que os mesmos fossem considerados, não se tratava de uma regra, mas de uma condição básica para que as coisas acontecessem como o Senhor determinou. Precisamos de líderes que sejam modelos, exemplos, testemunhas de vidas, cartas vivas, o bom perfume de Cristo. Que se preocupem com a doutrina, que respeitem os princípios. Quando ele escreve como deve quem deve ser um bispo, presbítero ou pastor (embora façamos diferença entre estas funções, a origem da palavra quer dizer a mesma coisas) ele escreveu que esta pessoa deve ser: “…. O bispo deve ser um homem que ninguém possa culpar de nada. Deve ter somente uma esposa, ser moderado, prudente e simples. Deve estar disposto a hospedar pessoas na sua casa e ter capacidade para ensinar. Não pode ser chegado ao vinho nem briguento, mas deve ser pacífico e calmo. Não deve amar o dinheiro. Deve ser um bom chefe da sua própria família e saber educar os seus filhos de maneira que eles lhe obedeçam com todo o respeito. Pois, se alguém não sabe governar a sua própria família, como poderá cuidar da Igreja de Deus? O bispo não deve ser alguém convertido há pouco tempo (tem que ser idôneo, é mais que simplesmente neófito); se for, ele ficará cheio de orgulho e será condenado como o Diabo foi. É preciso que o bispo seja respeitado pelos de fora da Igreja, para que não fique desmoralizado e não caia na armadilha do Diabo.” (1 Timóteo 3:1-7, NTLH).
Assim como ele determinou quem deve ser o pastor, bispo ou presbítero, ele também, traçou considerações sobre o perfil do diácono, que é a pessoa que cuida dentro do corpo principalmente das coisas materiais, do repartir entre os membros do corpo de maneira que não haja falta: “Do mesmo modo, os diáconos devem ser homens de palavra e sérios. Não devem beber muito vinho, nem ser gananciosos. Eles devem se apegar à verdade revelada da fé e ter sempre a consciência limpa. Primeiro devem ser provados e depois, se forem aprovados, que sirvam a Igreja. A esposa do diácono também deve ser respeitável e não deve ser faladeira. Ela precisa ser moderada e fiel em tudo. O diácono deve ter somente uma esposa e ser capaz de governar bem os seus filhos e toda a sua família. Pois os diáconos que fazem um bom trabalho conquistam o respeito dos irmãos na fé e são capazes de falar com coragem sobre a sua fé em Cristo Jesus.” (1 Timóteo 3:8-13, NTLH).
Condições impossíveis de serem observadas? Não, somente modelos para serem observados e seguidos pelos membros do corpo. Precisamos compreender que ser um líder no corpo de Cristo, implica na responsabilidade e ter zelo pela edificação e crescimento. Não é lugar para se alcançar interesses pessoais, não é lugar para usar as pessoas, mas para servir, para conduzí-las ao crescimento, amadurecimento a perfeita varonilidade, a estatura de Cristo.
O papel do líder é ser modelo, exemplo, e traduzir em atos, as palavras proferidas, pois ele compreende que transformar a teoria em prática de vida é a única condição que levará as pessoas ao amadurecimento e compreensão da vontade de Deus. Ser líder na igreja do Senhor é se colocar a serviço dos outros, e inverter a pirâmide das organizações, é compreender que precisa se deixar desgastar para que haja o crescimento e amadurecimento, é a tradução do compromisso pessoal com Deus com relação à sua vontade e propósito para as pessoas.