Uma visão simplicada do plano de Deus para a nossa vida está relacionada à nossa reconciliação com Ele por meio de Cristo Jesus, Sua morte na cruz. Somos purificados, libertos do pecado através do Seu sangue vertido na cruz. A salvação (reconciliação com o Criador) é pela Graça, por meio da fé em Jesus Cristo. Na cruz morremos com Cristo, morremos para os rudimentos deste mundo, morremos para a natureza humana, morremos para o pecado. Na cruz somos libertos do poder do pecado sobre nós. Somos feitos livres e filhos de Deus.
Na reconciliação nosso espírito é vivificado e reconciliado com o Criador, recebemos da Sua natureza, recebemos um novo coração, recebemos do Seu Espírito Santo que vem em nós fazer morada. Somos feitos casas espirituais, morada do Deus altíssimo. Somos chamados para proclamarmos as virtudes Daquele que nos tirou do império das trevas e nos transportou para o reino do Seu filho.
Na reconciliação, somos chamados para fazer parte do reino de Deus, sermos sacerdotes, sermos nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus. Nosso papel é sermos sacerdotes, reconciliadores dos homens com Deus, sermos luz e sal nesta terra. Temos a incumbência de proclarmar e viver a realidade do reino de Deus neste mundo, cumprir a vontade do Pai como ela é realizada nos céus.
No livro de Isaías podemos ler:: “Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; …” (Isaías 61:6), e João escrevendo afirma:” … Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! ” (Apocalipse 1:5-6)
Tendo este entendimento da libertação, de quem somos, nosso papel, qual a importância e criticidade do pecado em nossa vida, portanto, no meio da igreja, expressão da vida de Deus?
Nós não podemos encarar o pecado somente como uma falha, um deslize, ou mesmo uma doença como muitos querem enfatizar. Precisamos entender que pecado é pecado, independente do nome que queiramos dar. E necessitamos entender que pecado não está somente no aspecto de matar, roubar, mentir, mas sim, na escolha de viver e fazer qualquer coisa que seja contrária à natureza divina. Andarmos e praticarmos ação contrária a natureza divina implica em vivermos em pecado.
Não é simplesmente questão de chamar pecado de pecado, mas sim, de compreendermos o seu impacto na nossa vida, no reino de Deus, o quão crítico é, e o que significa viver uma vida de pecado. Caso contrário iremos menosprezar e não iremos tratar com seriedade em nossa vida e nem na vida da igreja.
Max Lucado em seu livro “Graça – mais que merecemos. Maior que imaginamos” retrata de forma tão clara o que significa o pecado em nossa vida. Ele usa a seguinte afirmação “.. O pecado não é um lapso lamentável ou um tropeço ocasional. O pecado arma um golpe contra o regime de Deus. O pecado ataca o castelo, reivindia o trono de Deus e desafia a Sua autoridade. O pecado grita “quero administrar minha própria vida, muito obrigado!” O pecado pede a Deus que saia, suma e não volte. O pecado é a insurreição à ordem mais elevada e você é um rebelde. Eu também sou. Assim como toda pessoa que respira” (pp42)
Por isso precisamos olhar o pecado sob outra perspectiva, com outros olhos, com o verdadeiro significado e impacto que tem em nossa vida, no reino de Deus, e na revelação da glória de Deus. Pecar é um ato de insurreição, de rebeldia e não simplesmente um lapso, algo lamentável, um escorregão, uma falha, uma fraqueza, pois não não é isto. Pecar é a rejeição em nossa vida da soberania de Jesus Cristo, é proclamarmos a nossa independência, é a manifestação da natureza humana contrária a tudo que vem de Deus.
Enquanto não levarmos a sério o pecado, nossa vida não será em nada para a glória e louvor do nome do Pai, nem manifestaremos a Sua vontade, e, muito menos, revelaremos o Seu reino neste mundo.