Teoria versus prática

O conceito de recompensa precisa estar muito claro em nossas mentes e sabermos diferenciar o modelo de recompensa existente e imposto ao mundo, e como este mesmo conceito existe e ocorre no plano de Deus.

Quando olhamos a igreja e pensamos da mesma maneira que no mundo, podemos afirmar com toda certeza que a teoria na prática é outra; mas na realidade, temos adotado a teoria errada dentro da igreja. Usamos dento das instituições religiosas o mesmo modelo de recompensa existente no mundo. Vamos entender melhor.

Estamos trabalhando em uma empresa, estamos no nível operacional, queremos atuar como líderes (ou seja, ter um cargo de supervisão, coordenação ou gerente), o que fazemos? Nós nos esforçamos, trabalhamos, empenhamos, mostramos que temos capacidade, andamos junto com aquele que pode influenciar a nossa promoção. Então, por fazermos, nós recebemos a posição (ou seja, o cargo que desejamos). E por recebermos o cargo, por sermos agora, um supervisor, um coordenador ou um gerente; então, recebemos o benefício, a recompensa do cargo, como: um salário melhor, maiores benefícios, etc.

E na igreja (instituição), como temos feito? Da mesma maneira que no mundo, e perduramos estes ensinamento. Ou seja, exigimos que as pessoas façam, que andem conosco, que demonstrem a sua capacidade, e por demonstrarem então a “promovemos”, ou seja, consagramos a um cargo de líder. E por estar neste cargo de líder, então recebe os benefícios deste. Ou seja, particpa disto e daquilo. Não é assim que fazemos?

Mas como efetivamente é no reino de Deus? O que podemos observar? Como é o critério de recompensa? De maturidade e o conceito de liderança?

Podemos observar que é totalmente invertido do que vemos no mundo e nas instituições religiosas. No corpo de Cristo, na sua igreja, que é a expressão dos valores eternos do reino de Deus podemos observar que a teoria na prática é coerente; mas é diferente e invertida do que existe e tem no mundo.

Primeiro, nós recebemos o premio, a recompensa. E por recebermos a recompensa, então nós somos. E por sermos, então fazemos. Por isso, o conceito de serviço no reino de Deus é muito importante ser compreendido. Não fazemos para receber, para ter a recompensa; mas sim por que já recebemos, porque já somos; por isso fazemos. Fazemos para expressar Deus, nada mais, nada menos. Fazemos não para receber glória ou recompensa; mas para revelarmos o reino de Deus, a glória de Dele, e para torná-lo visível neste mundo. Por isso Pedro escreveu: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” (1 Pedro 4:10, BEARA). Existimos, andamos neste mundo para dispensar a multiforme graça de Deus entre os homens. A razão do serviço, do empenhar, do cumprir a vontade de Deus, é para revelarmos esta graça entre os homens, nada mais, nada menos. Não é para termos ou recebermos e muito menos para sermos. E quanto mais maduro, mais serviços e menos usamos as pessoas. Nós, nos colocamos a disposição em ser usado para o crescimento e amadurecimento das pessoas.

No reino de Deus, recebemos a recompensa, não pelo que fazemos; mas por causa da misericórdia de Deus, como Paulo escreveu aos efésios: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:1-9, BEARA).

A salvação de nossa alma é uma recompensa, é uma dádiva de Deus, é concedida mediante a sua graça e misericórdia e não decorrente de obra que façamos.

Por cremos nisto, por recebermos esta oferta, esta recompensa pela devido a graça e pela fé (por crermos) então Deus nos faz seus filhos, como está escrito no evangelho de João: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;” (João 1:12, BEARA). E isto confirma que além de termos sido feitos filhos de Deus, fomos abençoados com toda sorte de benção espíritual em Cristo Jesus: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,” (Efésios 1:3, BEARA). O receber e o ser, não depende do que fazemos; mas da graça e do amor de Deus revelado, e por termos submetido a esta promessa.

Tendo recebido e tendo sido feitos (ou seja, por sermos) então devemos fazer. Por isso, passa a ser importante o serviço. Fazemos o serviço, demonstramos a graça de Deus, a sua multiforme graça, para revelar, para manifestar, para tornar visível o Deus que conhecemos. As recompensas não dependem de nós e nunca dependeram do que possamos fazer. O serviço, é a responsabilidade que temos diante do reino de Deus, para revelar a vida de Deus aos homens.

Como manifestamos a multiforme graça de Deus através do serviço de uns para com os outros? No serviço, revelamos misericórdia, perdão, graça, bondade, compaixão, amor; ou seja, revelamos as virtudes e o caráter de Deus. O fundamento, o principío e a razão da santificação, é para que, abandonando o pensamento, as atitudes e a forma de viver do mundo, andemos nos dias de hoje, conforme a natureza de Deus. Santificamos não para estarmos mais perto de Deus, mas para trazer Deus mais perto das pessoas que estão a nossa volta.

Por isso no reino de Deus, nós recebemos, e recebemos para ser, e por sermos; então fazemos. Simples assim!

Que o Senhor nos conceda este entendimento, que coloquemos o nosso coração em buscar e compreender o desejo de Dele para as nossas vidas para a glória e louvor do seu nome.