Zelo que consome

Queremos o compromisso das pessoas, desejamos que façam o que achamos que precisa ser feito. Atuamos pela força, pela posição que ocupamos. Agimos como donos e esquecemos quem é o verdadeiro dono da igreja.

Usamos da força, da pressão, da opressão para ter as pessoas submissas. Negociamos, usando recursos e artimanhas de homens, andando segundo o pensamento do mundo e esquecemos quem tem o poder para transformar e convencer as pessoas.

Termos zelo pela casa de Deus, por sua igreja, só que fazemos sem entendimento, usando do conhecimento e querendo dominar as pessoas pelo medo. Devemos sim, ser exemplos, pois caso contrário estaremos sendo que nem os religiosos na época de Jesus, mesmo tendo zelo, transformaram o tempo em algo que não era e nunca tinha sido do propósito de Deus: “Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. ” (Mateus 21:12-13).

A transformação das vidas, o amadurecimento, o viver segundo o coração de Deus não é uma questão de ordens, de estabelecimento de regras, de impor condição; mas sim, de deixar o poder de Deus operar, de sermos instrumentos usados por Deus para edificação, de sermos exemplo para o rebanho. As nossas atitudes norteiam o comportamento daqueles que nos observam. Nossas ações falam mais alto que as nossas palavras, especialmente quando o que fazemos é diferente do que falamos.

Se nossas ações demonstram zelo, dedicação, revelam a natureza e a vida de Deus, e se o que falamos e pregamos está alinhado com o que fazemos então o poder de Deus irá operar, a sua graça irá se revelar e as pessoas, as que têm zelo pelas coisas do Pai, se submeterão ao querer e ao desejar de Deus.

Não existe outra condição, não existe outra regra. Não adianta querermos impor, não adianta usar do conhecimento para convecer as pessoas. Elas somente se submeterão a medida do operar e do manifestar da graça de Deus.

Não é uma questão de força, mas sim, do atrito suave e doce que a graça realiza em cada vida, convencendo cada um do seu pecado. Precisamos aprender ouvir e ver o mover de Deus de maneira suave na vida das pessoas, temos como papel, ajudá-las a enxergar o que enxergarmos, a ver sobre a perspectiva que estamos olhando. Somos instrumentos de Deus para mostrar as pessoas, não para impor as pessoas o que achamos ser certo e correto.

Não é uma questão do que enxergamos; mas sim, da nossa capacidade, dependendo inteiramente da graça de Deus, de ensinar as pessoas a exergarem onde temos fixado os nossos olhos. Precisamos ensinar as pessoas a terem zelo pela igreja de Deus, pelo corpo de Cristo, pelo reino, de maneira que todos, possam trabalhar para e pela edificação uns dos outros, como instrumentos.

Ensinar o zelo é mais importante que impor o zelo pelo uso da força do homem. Deus, pelo seu Espírito, opera transformando as vidas, nós precisamos deixar que o Espírito opere através de nós, como instrumentos, conduzindo as pessoas ao conhecimento e entendimento da graça, e não usando de artimanhas e negociando os valores do reino.