Quando Jesus tomou a ceia com os discípulos, ele a celebrou com as palavras a seguir: “Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mateus 26:26-28).
O pão representa o seu corpo e o vinho o sangue derramado em favor de muitos para a remissão de pecado. No momento da ceia, celebramos a morte do Senhor até que ele venha, mas porque celebramos? Por um simples motivo, pois através da sua morte na cruz, nós lembramos que é através da sua crucificação em nosso lugar, e ao nos submetermos a ele, como Senhor de nossas vidas, nós morremos com ele na cruz para nós mesmos, o seu sangue derramado, foi para a remissão do pecado. Nossa justificação é obtida pela sua obra, pela manifestação da justiça de Deus em Cristo Jesus. Nós podemos entrar e estar na presença de Deus, sermos aceitos, não pelo que fazemos; mas sim, pela obra de Cristo na cruz. É o seu sangue que nos purifica, nos justifica e nos apresenta diante de Deus santos, inculpáveis e irrepreensíveis.
O pão, representando o corpo de Cristo, tem por objetivo lembrar-nos de quem nos alimentamos, de onde provém a vida; pois Jesus disse que se não comêssemos dele não teríamos vida em nós mesmos. Isto é para nos lembrar de quem nos alimentamos; mas mais do que isso, é para lembrar a cada um de nós, que não temos vida em nós mesmos, e que não somos isolados para vivermos nossas vidas; mas fazemos parte do corpo. Somos membros uns dos outros. Fazemos parte do corpo de Cristo.
Quando esquecemos quem somos, e do que fazemos parte, e que não somos isolados, mas parte de um corpo, membros do corpo de Cristo, e que nosso papel é cooperar para a edificação do corpo, nós passamos a agir sem compreender o corpo, ou seja, sem discernir. Na igreja de Corinto, eles estavam vivendo sem discernir o corpo, com Paulo escreve: “Porque, antes de tudo, estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio. Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague. Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo. ” (1 Coríntios 11:18-22)
“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros.” (1 Coríntios 11:26-33).
A falta do discernimento do corpo nos impede de revelar e manifestar o Senhor Jesus ao mundo. Por isso, ao celebrarmos a ceia, não estamos comendo um pão santo ou um vinho sagrado; mas são usados para lembrar-nos quem nos purifica de nossos pecados, e para nos colocar no contexto da igreja. Para nos lembrar que somos membros de um corpo, que não vivemos sozinhos, que não temos vida em nós mesmos, mas que fazemos parte uns dos outros.
Para fazermos discípulos precisamos viver este contexto de igreja, de edificação, de ajudar uns aos outros, de repartir uns com os outros para que não haja excesso e nem falta, para que haja o crescimento e amadurecimento do corpo. Não estamos e nem vivemos igreja para resolver o nosso problema, não vivemos igreja para manifestarmos o nosso egoísmo, nosso orgulho, arrogância e prepotência. Vivemos igreja para revelarmos em nossos atos, para a edificação dos irmãos, a vida de Deus, a natureza de Deus.
A ceia é para ser celebrada juntos, para participarmos juntos, para lembramos uns aos outros que fazemos parte uns dos outros. Pois é na igreja, na unidade do Espírito que revelamos a Jesus como Salvador do mundo, como o enviado do Pai, para reconciliação dos homens com Deus.