A responsabilidade de ser livre

Em Cristo Jesus, na nossa justificação, pela sua obra redentora, recebemos a libertação do poder do pecado. Ele não tem mais domínio sobre nós. O Diabo, o acusador dos homens, não exerce mais poder sobre nós. Mas, mesmo sendo livre, porque continuamos escravizados e oprimidos por tudo que sempre nos dominou? Isto ocorre pelo porque a verdadeira libertação vem com o amadurecimento, pela compreensão da obra realizada por Deus, pelo aprender a depender de Deus e não nos deixar dominar pelos pensamentos e atitudes do mundo.

Na justificação recebemos o alvará de soltura, mas precisamos aprender a viver em liberdade, precisamos aprender a ser livres, e isto vem com o processo de amadurecimento. Não somos livres enquanto não libertamos a nossa mente, nossa alma de tudo que nos escraviza.

Precisamos compreender que ser livres não está no fato de fazermos o que desejamos e queremos, como Paulo escreveu: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.” (Gálatas 5:13). Na liberdade que Deus nos concedeu do poder do pecado, traz uma escravidão para a justiça, uma necessidade de compreendermos o caráter de Deus e agirmos como Deus em todos os nossos atos. Na liberdade que obtemos em Cristo Jesus, pesa a responsabilidade do amor para com as outras pessoas, para sermos instrumentos de cura e libertação.

A nossa liberdade deve ser sempre medida pela limitação, pelas dificuldades de entendimento e compreensão de nosso irmão. Não podemos fazer e nem agir de forma  a sermos motivos de tropeço e escândalo, não importa o que pensamos, mas sim o que o outro pensa, e o quanto somos capazes de conduzi-los a um processo de amadurecimento, de cura e libertação. Temos que agir como mestre ensinando ao seu discípulo, por isso, fazer discípulo envolve a abnegação, o negar a si mesmo.

Paulo, escrevendo aos Coríntios fala sobre isso: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos? E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais. E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.” (1 Coríntios 8:9-13).

Temos motivo para sermos pedra de tropeço? Temos motivo para escandalizar? Não traz a liberdade a responsabilidade de se preocupar com o crescimento e amadurecimento dos outros? Esta é uma função do corpo. Fazer discípulo não é jogar teoria, não é falar do que cremos e conhecemos; mas sermos capazes de levar o outro a enxergar e a ver como vemos, é levar o outro ao amadurecimento e ao conhecimento do Criador, para que a sua vida seja um instrumento para a glória de Deus. Temos e é nosso papel levar as pessoas a liberdade, a experimentar da verdadeira cura e libertação concedida por Deus.

 Por isso precisamos entender e compreender que aos verdadeiramente livres pesa a responsabilidade de edificação e condução dos membros do corpo ao amadurecimento e crescimento.