“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores.Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai.Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.” (Lucas 9:57-62)
Nesta passagem podemos ver três aspectos que nos desqualificam para o reino de Deus.
O primeiro quanto ao filho do homem não ter lugar para reclinar a cabeça. Ou seja, se nos preocupamos com o conforto, com segurança, recursos no nosso dia a dia, e lutamos por eles, primeiramente e não abrimos mão. Precisamos entender que não é o que fazemos; mas o como fazemos e como colocamos a prioridade. Se nossa prioridade é a nossa segurança, e abrimos mão dos valores do reino de Deus em prol de nossa segurança e estabilidade; então não somos dignos e nem estamos preparados. Um exemplo de situação é no serviço, quando nos pedem para mentir, enganar, ou mesmo, dependendo do nosso papel para criar mecanismos para sonegar, não atender o direito daqueles que trabalham para nós, então estamos priorizando a nossa segurança em detrimento dos valores do reino de Deus. Não podemos abrir mão dos valores de justiça do reino, por causa de nossa segurança.
O segundo ponto que precisamos avaliar é como encaramos as nossas obrigações com relação a este mundo e como a priorizamos comparado a necessidade e obrigações que temos para com o reino de Deus. Era tradição e responsabilidade que as pessoas enterrassem os seus mortos. O que Jesus demonstrou é que precisamos avaliar o que é mais importante e que responsabilidade temos para com o reino de Deus. Se o mundo nos cobra uma responsabilidade, temos que julgá-la a luz dos valores e de nossa responsabilidade e compromisso perante o reino de Deus. Quando existirem duas responsabilidades que se conflitam, precisamos decidir qual é a mais prioritária. A relacionada ao mundo, ou a do reino de Deus? Mesmo que percamos pontos com relação ao mundo, ou deixemos de receber uma promoção, por causa de uma obrigação que temos para com o reino, devemos saber escolher. Se priorizarmos o mundo e os nossos interesses, não estamos aptos para o reino de Deus.
O terceiro ponto é o quanto olhamos para trás, para as coisas que deixamos no mundo. Se pesar em nosso coração o que abrimos mão, dos benefícios e das coisas que tínhamos por causa do reino; se fizermos com uma sensação de lamentação, de perda; então, também não estamos aptos para o reino. Não dá para viver o reino de Deus olhando o que deixamos (o que abrimos mão). Não dá para viver como o povo no deserto que estava indo para a terra prometida, sempre, diante de uma dificuldade, olhava para o Egito e viam o que tinham deixado para trás.
São três aspectos importantes e que pesam em nossa vida no nosso dia a dia, e que precisamos estar sempre pesando na balança e tomando a decisão. Não é uma decisão que tomamos uma vez e pronto; mas sim, algo que fazemos todos os dias, se não, em vários momentos do dia. O aspecto da segurança tão desejado, as prioridades do reino e do mundo, e o olhar para trás, lamentando o que abrimos mão.
Estamos qualificados para o reino de Deus? Esta resposta não é dada pelo que falamos; mas sim, pelas escolhas que fazemos diante de cada situação que vivemos. Para escolher o reino, temos que amar a Deus sobre todas as coisas e termos zelo pelo reino e pelas coisas do Pai. E priorizamos o reino, quando compreendemos a libertação recebida.