O Senhor ao celebrar a ceia com os seus apóstolos quis lhes ensinar algo importante, que temos muitos de nós desprezado. Esta falta de entendimento tem levado ao enfraquecimento e a não cumprirmos o querer e o desejo do Senhor quanto a importância da ceia. Jesus ao celebrar a ceia com os doze, pois judas que já o tinha traído, também participou: “E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós; pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lucas 22:17-20, BEARA).
Os ensinamentos que temos recebido sobre a ceia em diferentes instituições trás nos um entendimento equivocado que refletem leis e ordenanças de homens, como o próprio Isaías referiu ao seu povo: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu,” (Isaías 29:13, BEARA).
Precisamos parar e refletir sobre o signficado e a importância da ceia. Primeiro, ela é só para os batizados e que são membros da instituição? Não, ela não foi instituida para segregar, mas para juntar. Se assim fosse, tendo o Senhor já consciência da traição de judas; não poderia tê-lo incluido, e Ele o incluiu na ceia. Segundo: Beber indignamente é por que está em pecado? Não. Se assim fosse, ninguém poderia tomar a ceia do Senhor, porque somos pecadores, cometemos pecado. A questão do pecado, viver de forma contrária a natureza de Deus, não é o cometer pecado; mas sim, o permanecer no pecado. Ter cometido pecado, não é condição que nos impeça de participar da ceia.
Mas se não devemos restringir a participação e se não é o pecado a condição para não participar, o que significa participar da ceia indignamente? Paulo, escrevendo aos irmão de Corinto, afirma o seguinte: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.” (1 Coríntios 10:14-17, BEARA), e no capítulo seguinte, de sua carta, ele afirma: “pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.” (1 Coríntios 11:29, BEARA), como também: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.” (1 Coríntios 11:27, BEARA).
Participarmos da ceia indignamente é não termos consciência e compreensão de corpo. Celebramos a ceia, não para renovar as nossas força, não porque comemos do corpo e bebemos do sangue que nos renova; pois comermos o pão e bebermos o suco da vide, não irá fazer diferença alguma para nós; a não ser, encher barriga, matar a fome; se for em quantidade suficiente. Renovar as nossas forças não é propósito da ceia. Celebramos a ceia para nos lembrar quem somos e porque somos aceitos por Deus.
O vinho que simboliza o sangue de Cristo tem o propósito de nos lembrar que somos aceitos por Deus não pelo que somos, e nem pelo que fazemos; mas sim, somente pelo sangue de Cristo que foi derramado na cruz, onde a justiça de Deus se concretizou. E é através deste sangue que somos aceitos na presença de Deus e é ele que nos apresenta perante o Pai santos, inculpáveis e irrepreeensíveis.
E o pão? O pão que simboliza o corpo de Cristo, de quem nos alimentamos e recebemos vida, se nele estamos arraigados. Agora o que precisamos compreender que a questão não é o pão que comemos; mas sim, o corpo que participamos. Não somos individuos isolados; mas sim, membros do corpo, membros uns dos outros, e que o propósito de nossas vidas não é vivermos para nós mesmos, para buscarmos os nossos interesses; mas sim, como membros, devemos viver em favor dos outros para a edificação e fortalecimento do corpo.
Precisamos entender que o que é importante é a unidade, o fortalecimento do mais fraco, o ajudarmos o mais fraco e não a nossa opinião e nem a nossa vontade. Tomarmos a ceia sem discernimos o corpo, é não termos este entendimento do nosso papel, nossa responsabilidade no servir uns aos outros.
Quando celebramos a ceia pensando em nós mesmos, quando vivemos o nosso dia a dia buscando os nosso interesses e o realizar de nossa vontade; então estamos celebrando de forma indigna; pois não temos o entendimento de corpo que o Senhor deseja que tenhamos. Comemos e bebemos da mesma vida, da vida que procede de Deus. O que nos mantém unido é o Espírito e devemos nos esforçar pela unidade como Paulo afirma; agora se estamos buscando os nosso interesses; então não existe o corpo do qual devíamos fazer parte; ou seja, não temos consciência de corpo.
Não nos submetamos a regras e condições humanas, não nos desviemos daquilo que seja o propósito e o querer de Deus que é se revelar por meio da igreja, do corpo de Cristo. Na ceia, devemos lembrar que não vivemos para nós mesmos; mas para o Senhor, que os desejos do Senhor sobrepõe o nosso desejo e a nossa vontade. Existimos e recebemos vida; para vivermos segundo a natureza daquele que nos chamou como reinos e sacerdortes para a Sua glória.
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