Eis o ponto que precisamos nos lembrar sempre, e nos questionar em todo o momento: quando estamos prestando serviço a Deus? Quando orando? Lendo a bíblia e meditando? No culto ou jejuando na busca do atendimento de alguma necessidade?
Não! Nosso serviço a Deus se revela quando estamos prestando serviço às pessoas, quando revelamos pelas nossas obras quem somos, quando demonstramos de forma consciente que fazemos as coisas não para recebermos, não para sermos glorificados, reconhecidos ou aplaudidos pelos homens; mas quando realizamos as obras como expressão do que somos, do que recebemos para que Deus seja glorificado, para que a Sua glória se revele através de nossos atos, como profetizado por Isaías: “Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda;” (Isaías 58:6-8, BEARA).
O entendimento equivocado do serviço a Deus nos leva a atitudes religiosas, as mesmas cometidas no antigo testamento; onde o que era importante, o que era cumprir a justiça de Deus era abandonado em favor de liturgias e ações que em nada revelavam o coração e motivação.
Quando Jesus, no sermão da montanha, falou todas aquelas coisas sobre o seu ensinamento, no fundo, ele estava informando sobre o que deveríamos fazer em nosso dia a dia. Não poderíamos nos deixar ser afetados pelas ocorrências, pelos problemas, pelos ataques e nem nos deixar ser abatidos por aquilo que aparentemente nos ofende ou magoa. Mas, compreendendo quem somos, o que recebemos de Deus, deveríamos viver a nossa vida em favor dos outros, como uma oferta, como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Ao oferecermos os nossos membros a Deus, devemos fazê-lo para trazer vida, e para revelar as Suas obras.
O verdadeiro serviço a Deus está no servir as pessoas, no trazer luz, ser luz, mas o que isto quer dizer? Vivermos o sermão da montanha, praticarmos a justiça, não vivermos uma vida voltada para nós mesmos e na busca desenfreada do atendimento de nossas necessidades. Mas sim, vivermos cada dia por vez, não nos preocuparmos com o dia de amanhã, lembrarmos que Deus cuida destas coisas e de nós. Mas devemos repartir, suprir as necessidades. Revelar em nossos atos, obras que demonstram o quanto Deus é integro; mesmo que isto represente prejuizo para nós mesmos. Não é negarmos e nem omitirmos o direito do outro; mas sim, sermos agentes de mudança.
Precisamos entender que viver o reino de Deus, prestar serviço a Ele, implica em dois aspectos importantes: o primeiro é revelamors a justiça do reino, a vida do reino, trazer e proclamar a libertação do domínio do pecado aos homens, é sermos luz neste mundo, sermos sal nesta terra. É praticarmos as obras de justiça de Deus. E o segundo ponto, que precisamos entender, que revelar esta justiça, falar do reino não é suficiente; precisamos, também, viver o reino, fazendo as obras do reino. Ou seja, demonstrando amor para com o próximo, suprindo as suas necessidades, repartindo o que temos, ajudando e não deixando que outros passem necessidade enquanto temos abundância e podemos repartir. O reino de Deus não é para vivermos fechados em nosso mundo, com os nossos; mas sim, juntarmos quem não é, não faz parte e mostrar o que é o reino.
Quando repartimos, quando não nos escondemos, quando, até mesmo damos do que temos, demonstramos em quem confiamos e sabemos quem é o nosso provedor.
Que o Senhor possa nos dar o discernimento e o entendimento que o verdadeiro serviço a Ele está no servimos e suprirmos as necessidades de quem não tem, de quem precisa de socorro e ajuda. Não é trabalharmos e servirmos a quem tem e nem a quem não precisa; para alcançarmos algum favor; mas sim, em fazermos as coisas para quem não pode retribuir, não pode nos dar, e nem nos conceder nada em troca.