Jesus ensinando aos seus discípulos, afirma o seguinte, no evangelho de Lucas, Lc 11:34-35 (BEARA): “34 São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas. 35 Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas.”.
Assim como nesta passagem, na questão do cisco no olho do outro, no perdoar, no ser sal, no ser luz; tudo isso está relacionado a nós, em quem somos; e não no outro.
A questão não é o que o outro é, o que faz; ou o que transparece ser; mas sim, em como nós o vemos, se estamos enxergando a trave no nosso olho, enquanto o outro tem apenas um cisco que procuramos condenar.
Achamos que somos justos, que somos bons, que somos melhores e estamos acima. Muitas vezes não pelo que falamos; mas sim, pela maneira como nos comportamos. Temos a arrogância de dizer quando “eu era pecador”; não entendendo que ainda o somos. Não entendemos a graça manifesta a nós, nem a misericórdia e muito menos a compaixão de Deus revelada por meio de Jesus Cristo.
Achamos que somos “mais que merecedores” da graça e da misericórdia. Achamos que somos tão bons e que os “outros” é que são o problema. Não entendemos o nosso papel, nem nossa razão de permanecer neste mundo como “cidadãos do reino de Deus”. Não entendemos o nosso papel como representantes, como embaixadores, como carta viva, como bom perfume. Precisamos parar e repensar as nossas atitudes, nossa forma de pensar e compreender exatamente o nosso papel, como filhos de Deus neste mundo. Não temos um papel diferente de nosso Senhor Jesus. Estamos aqui para fazer o que Ele fez, viver como Ele viveu, mostrar e revelar a graça, o amor e a compaixão para com todos os homens.
Por isso a questão não é o que o outro é; mas sim, como nós o vemos. Não podemos ser como religiosos; tendo justiça própria; mas devemos manifestar as mesmas atitude de Jesus. Ele andou com os pecadores; seu desejo era curar, trazê-los para o convívio e comunhão com o Pai; não era o condenar. Nós, na maioria das vezes, achamos que apontando o defeito, as falhas e o pecado do outro, o despertaremos para a vida de Deus. Mas não observamos o que Jesus fez e nem a sua atitude. Lembra da mulher adúltera, de cada leproso, do coletor de imposto, do inculto? O que Ele fez? Condenou-os? Ou viu neles a vida de Deus revelada e manifesta por seu intermédio?
Por que queremos condenar hoje? Por que achamos que somos melhores? Por condenamos o adúltero, o homossexual, o corrupto, o assassino, o impostor, o pedófilo? E somos capazes de suportar o hipócrita, o mentiroso, o que pratica a luxuria? Por que aceitamos a pornografia? O egoísta? O arrogante? Por que aceitamso a atitude de corrupção, ou mesmo praticamos?
Precisamos rever as nossa atitudes, nosso pensamento e entendimento sobre a vontade de Deus, sobre o nosso papel. O problema está em nós e não nos outros; por isso precisamos ter a consciência sobre o quanto os nosso olhos tem sido luz ou trevas.