Talvez no não seja o único momento; mas foi o único registrado, o único pedido dos discípulos para o mestre sobre ensinar. Eles pediram a Jesus que os ensinasse a orar, e este pedido está registrado, também no evangelho de Lucas (Lucas 11:1-13 – RA). O que tem de especial neste pedido e neste ensino? O que Jesus falou? Mostrou sobre oração aos discípulos que nós não entendemos. Vamos ler: 1 De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos. 2 Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei:
Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; 3 o pão nosso cotidiano dá-nos de dia em dia; 4 perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixes cair em tentação.”.
Terminou Jesus neste ponto, uma oração simples, direta, sem rodeios, sem repetições? Não. Ele continuou contando uma estória, como podemos observar: “5 Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo, e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, 6 pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer. 7 E o outro lhe responda lá de dentro, dizendo: Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar; 8 digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade. 9 Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.10 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. 11 Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? 12 Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião?”
Terminou Jesus, sua estória neste ponto? Não, Ele fechou com chave de ouro para termos o entendimento claro e não distorcermos o ensino que Ele queria transmitir sobre oração, afirmando: “13 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? “.
O que tem de importante na oração ensinada e na estória contada?
A oração fala de intimidade, de informalidade, de simplicidade, e não de nada rebuscado. O ensino, fala de amigo, de expor necessidade, de pedir sem rodeios, sem frescuras, pedir o que precisa, o que é importante e crítico. Não é um ritual, é uma conversa informal que traduz um coração sincerido, maturidade e compromisso com o reino. A oração não está carregada de ganância, de cobiça, de desejos e valores deste mundo; mas de suprir o que precisa, de ajuda para a caminhada, que traduz um coração alinhado com o Criador.
O termo; “Pai”, ou como Mateus registro no seu evangelho “Pai nosso”. Que quer dizer “Paizinho”. Denota intimidade, amizade, carinho. A conversa com Deus deve ser carregada disto. Nosso relacionamento com Deus deve carregada deste tipo de significado e não de alguém longe, distante, que não se preocupa conosco. Mas de alguém que deseja e expressa um anseio pelo conhecimento, pela dependência, pelo expressar de toda a Sua vontade. O que é importante, no registro de Mateus, que não é “Pai meu”; mas “Pai nosso”, e este início expressa uma consciência não só de amizade e intimidade com o Criador; mas o reconhecimento de uma coletividade, de irmãos, de que Ele não é só “Pai meu”; mas “Pai” de todos nós. Somos uma família, um corpo. A consciência de corpo, de membro uns dos outros é o que Deus mais deseja que tenhamos.
E o restante da oração, tão simples, quanto o seu início. Não fala do que não precisamos; não fala do que não é importante para o reino e para o que precisamos para viver neste mundo, segundo o coração de Deus. Pede pelas necessidades do dia a dia. Não pede pelo futuro, não pede por mais que precisamos, não pede por uma casa, um carro, fartura, riqueza; mas pede para suprir o que “precisamos”; como ele ensinou no sermão da montalha: Buscar o reino, não viver ansioso pelo dia de amanhã, por amar o próximo.
Por que devemos buscar, por que devemos pedir? O que devemos pedir a Deus? Fala que Ele dará tudo que pedirmos? Do que Jesus está falando, para não tirarmos o versículo do contexto? Ele está falando de pedirmos o “Espírito Santo”; não de pedirmos além do que precisamos.
Por que precisamos do “Espírito Santo”? Por que pedirmos o “Espírito Santo”? Porque Ele é que nos conduz em toda a vontade do Pai, Ele nos lembra de todas as palavras de nosso Senhor Jesus, Ele nos ajuda na jornada, é o consolador, o que nos ajuda a cumprir o querer e o desejo de nosso Deus. Toda a vida, toda a natureza, todo o amor de Deus é derramado em nossas vidas pelo Espírito Santo. Precisamos Dele como expressão de reconhecimento de nossa dependência, de auxílio, resultante de um anseio para cumprir o que está no coração de Deus.
Uma conversa informal com Deus é o que Ele deseja que aprendamos a ter. É um momento especial, não um sacrifício, não um peso; mas tradução de intimidade, de amizade, de compromisso, de honra, expressão de amor, de dependência. Não temos um Deus para satisfazer as nossas necessidades e desejos egoístas; mas temos um Deus para ser o “nosso Pai”, aquele que reconhece o quanto dependemos e precisamos Dele para viver a Sua vontade. E para viver a sua vontade não precisamos de nada mais que o Espírito Santos e do pão de cada dia.
Não precisamos de casa, carros, riqueza, abundância, segurança deste mundo. Não precisamos de emprego, de um bom salário. Precisamos sim, independente de onde estamos, do que estamos fazendo, da nossa situação, de nossa saúde o conhecimento da vontade do Pai, do reconhecimento que precisamos Dele, do Espirito Santo que nos guiará, nos ensinará a viver neste mundo, o reino de Deus nesta terra, expressando a vida e a natureza Dele; sendo luz, sendo sal, sendo carta viva de Cristo, sendo o bom perfume que transmite graça, misericórdia, compaixão para com as pessoas.