Somos “o próximo”

Nós olhamos o próximo sobre  a nossa perspectiva, sobre o nosso ponto de vista e não pela perspectiva do outro.

Jesus na estória sobre o “bom samaritano” aborda o outro de forma diferente; de maneira que pode gerar uma atitude para repensarmos nossas ações e posicionamentos.

Pensamos o outro, sem compreender efetivamente sua situação, o que passa, suas motivações. Pensamos o outro de forma que não nos vemos, não temos compaixão e nem nos colocarmos em seu lugar. Depois de relatar todo o acontecimento, quando o religioso perguntou-lhe quem era o próximo; Ele ao final volta para este, e faz-lhe o seguinte questionamento: “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo. ” (Lucas 10:36-37, BEARA).

Alguns fatos importantes: quem era a pessoa que precisou de ajuda? Judeu? Samaritano? Não fala; Jesus não mencionou nada sobre o mesmo, exceto que estava em uma estrada da judéia e que tinha sofrido ação de salteadores (que era comum naquela estrada). Passaram três pessoas, dois religiosos e um samaritano. Não vamos discutir o aspecto de ódio entre estes povos; mas a pergunta de Jesus, não foi sobre quem foi atacado, quem sofreu. Ele não era o próximo dos três; mas a pergunta foi: qual dos três foi o próximo do homem que necessitava; estamos entendo?

Não são os outros o nosso próximo; mas nós é que somos o próximo de quem necessita. O próximo é quem pratica a ação de ajudar, de se colocar no lugar do outro. Não é quem recebe a ação de ajuda. Percebemos esta diferença nesta parábola? Estamos acostumados a tentar entender quem é o nosso próximo; mas na realidade temos que questionar com relação a nós, ou seja; de quem temos sido o “próximo”? Não são os outros; mas nós é que somos “o próximo”.

Somente somos capazes de nos enxergar como o próximo do outro quando nos colocamos no lugar “dele”, quando manifestamos compaixão, quando compreendemos sobre misericórdia, graça, amor. Se não temos este entendimento, e se não somos capazes de nos colocar no lugar do outro; jamais seremos o próximo daquele que necessita.

Foi discutido na estória do “bom samaritano” se o outro era branco, pretro, amarelo? Rico ou pobre? Bêbado ou sóbrio? Instruído ou sem qualquer grau de instrução? Não, não foi discutido nada disto, simplesmente o “próximo” daquele homem, vítima dos salteadores, não passou distante; nem virou “a cara”; mas simplesmente o socorreu, independente de quem era, e se poderia algum dia dar-lhe algum retorno.

Por isso, a pergunta que temos que fazer não é quem é o nosso “próximo”; mas temos sido “o próximo” de quem?

Que alcancemos corações sábios, discernimento e entendimento para fazer e viver o reino de Deus neste mundo. Que sejamos instrumentos de Deus para que a Sua vontade se realize nesta terra, que como filhos, revelemos em tudo e para com todos, a graça, a misericórdia, a vida, o amor e a compaixão de Deus. Que sejamos em tudo “o próximo” daqueles que precisam.

Um pensamento sobre “Somos “o próximo”

  1. Avatar de rikaferreira rikaferreira disse:

    Esta passagem é belíssima, demonstra o quão nada é a pura religiosidade, ser sacerdote, ser levita e não ser sensível a dor do outro é preocupante.

Os comentários estão desativados.