Uma das coisas mais importantes que vemos desde o velho testamento é a questão de disposição, do fazer voluntariamente, do se mover em favor do que é pedido quando procede de Deus. Na construção da tenda da congreção no deserto, podemos ver este pedido e determinação de Deus: “Disse mais Moisés a toda a congregação dos filhos de Israel: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo: Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao Senhor: ouro, prata, bronze, estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabra,” (Êxodo 35:4-6). “Venham todos os homens hábeis entre vós e façam tudo o que o Senhor ordenou: o tabernáculo com sua tenda e a sua coberta, os seus ganchos, as suas tábuas, as sua vergas, as suas colunas e as suas bases;” (Êxodo 35:10-11)
E a mesma coisa no que tange a ir e pregar o evangelho, quando determinado por Jesus: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados. ” (Marcos 16:15-18)
Em ambas as situações não é uma questão de querer ou não querer, de sentir vontade ou não; mas do compreender quem somos, do nosso papel, da responsabilidade que temos perante Deus e os homens, mas principalmente, da voluntariedade em se oferecer para ser instrumento de Deus para concretizar a sua vontade.
Deus não nos obriga, ele se revela, mostra quem é. O que ele espera de nós é que tenhamos o mesmo coração, a mesma disposição de Isaías, de Paulo, de Pedro, de João e tantos outros que se ofereceram para realizar e cumprir a vontade de Deus.
Nós somos livres, livres do domínio do pecado, mas precisamos compreender que a nossa liberdade que recebemos depende de nos submetermos a Deus, de submetermos uns aos outros, de não acharmos que estamos acima ou que somos melhores que qualquer um outro. A compreensão da liberdade que temos é medida pela nossa responsabilidade, disciplina e compromisso que temos. Mas isto, não no aspecto de instituição, não para recebermos algo em troca, mas única e exclusivamente, decorrente do nosso compromisso com o corpo, com cada membro. Temos a obrigação, temos a responsabilidade de trabalhar pela edificação do corpo, amadurecimento das pessoas para que cada uma possa ser instrumento para uso de Deus.
Não somos donos das pessoas, nem da obra, e muito menos da igreja que é o corpo de Cristo. Nós temos que andar submissos ao cabeça da igreja que é Cristo. Ele é o dono, quem estabelece todas as coisas. Temos, sim, que andar de forma a compreender o seu querer, desejo e nos submeter a sua vontade.
Cumprir a grande comissão não é uma questão só de obediência, mas de entendimento de quem somos e nossa responsabilidade. Tendo este entendimento, devemos nos colocar e nos mover na direção de cumprir a nossa responsabilidade como cidadãos do reino de Deus. Não impingindo as pessoas um pensamento e uma forma de agir; mas revelando a natureza de Deus em todos os nossos relacionamentos em todos os lugares, para que Deus seja glorificado por meio de nossas vidas e da igreja.
Oferecer como sacrifício vivo, oferecer os nosso membros a Deus e nos dispor a realizar o que ele deseja.