Quando pensamos em justiça, normalmente pensamos na punição dos pecados, ou seja, a punição dos outros pelos erros que cometeram, pela transgressão das leis, sejam de Deus ou dos homens, não é correto? Não é assim que pensamos? Se falamos que temos sede de justiça, o que desejamos no nosso coração é a punição dos transgressores, não queremos outra coisa. Quando lemos “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.” (Mateus 5:6), o que de fato estamos desejando? Que Deus lance no inferno, que puna todos os culpados, todos os trangressores?
Se pensamos nisto, ainda não entendemos a justiça de Deus. Quando desejamos a pena de morte, quando desejamos a condenação dos homens, a punição dos pecadores, ou dos trangressores das leis dos homens, ainda não entendemos a justiça de Deus.
Jesus quando falou sobre ser bem aventurado o que tem fome e sede de justiça, ele estava falando da justiça de Deus, e quando ele fala da justiça de Deus ele não estava afirmando sobre o ponto de vista humano, mas divino. Por que seríamos ou seremos fartos? O que de fato é a justiça de Deus e como ela se manifesta?
É do propósito de Deus a punição, a condenação dos homens? A resposta categória para este questionamento é um grande “NÃO”. Porque a justiça de Deus se manifesta salvadora a todos os homens. Precisamos entender que nós, homens, já estávamos condenados, já estávamos separados, não havia salvação, não havia qualquer condição de sermos, por nós mesmos, pelo nosso esforço, reconciliados com Deus. Não tínhamos a vida de Deus e nem poderíamos ter; pois o nosso estado é de rebeldia contra tudo que seja a vida de Deus, pois a rejeitamos quando escolhemos andar pela nossa própria vontade, em nosso egoísmo e toda a nossa cobiça. Mas como Deus revela a sua justiça?
Em Jesus é realizada a justiça de Deus. Quando Jesus se ofereceu em favor dos homens, para cumprir a vontade do Pai, para que nós homens fôssemos reconciliados com Ele, então neste ato, na morte de Jesus na cruz estava Deus revelando e cumprindo a sua justiça. Quando nós que não tínhamos condição de reconciliação, nós que estávamos em rebeldia, merecedores de toda condenação; Deus na sua graça e seu amor para conosco, oferece o meio e a condição para a reconciliação para que pudéssemos ter da sua vida e andar na sua presença. Este ato é a revelação e manifestação da justiça de Deus. Nós mortos e separados da vida Dele, então nos é oferecida a condição de reconciliação com Deus.
Quando Jesus disse: “Vós sois o sal da terra;… Vós sois a luz do mundo.” (Mateus 5:13-15). Ou “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.” (Mateus 5:43-45). “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” (Mateus 7:12, BEARA). Nestas atitudes que é para manifestarmos perante os homens, está a revelação, o cumprir da justiça de Deus.
A justiça de Deus se revela salvadora a todos os homens, não a alguns, mas a todos os homens. Nós somos o instrumento de Deus para manifestação da Sua justiça. É nosso papel levar aos homens a justiça de Deus. Nossas atitudes, nossas ações, o que somos, o que manifestamos, como agimos, revela a justiça de Deus. O propósito de Deus não é a condenação, mas a salvação de todos os homens. Por isso, quando Jesus disse que bem aventurado é quem tem fome e sede de justiça, seria farto; o que ele estava afirmando é que se compreendessemos a justiça de Deus, poderíamos manifestá-la a todos os homens sem restrição; pois esta é a vontade de Deus. E como é grande o campo e o terreno para a manifestação e cumprimento da justiça de Deus!.
Manifestamos a justiça de Deus, quando levamos a Sua vida a todos os homens, quando somos luz, quando somos sal, quando agimos conforme a natureza de Deus. Não nos compete desejar a vingança, a punição, mas sim, a vida, a manifestação da vida de Deus a todos os homens. E nós, por termos recebido a vida de Deus, através da salvação em Cristo Jesus, não podemos ter outra atitude que desejar, ardentemente, esta justiça: a vida de Deus alcançando a todos os homens; e nós, instrumentos de justiça para o revelar e cumprir da Sua vontade.