Cadê a igreja?

Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim.” (Romanos 15:2-3, BEARA)

Trocamos o significado da igreja verdadeira, da expressão do corpo de Cristo, onde nós somos membros uns dos outros por uma instituição. Trocamos o significado de sermos solidários, de ajudar uns aos outros, do dispor de bens materiais para que as necessidades fossem supridas, para darmos lugar a levantar recursos para atender a projeção da instituição humana que criamos; onde queremos ter um canal de televisão, uma rádio ou até mesmo vender uma tv por assinatura; porque queremos “levar o evangelho” onde não podemos ir pessoalmente, mas deveríamos ir.

Trocamos a idolatria de imagens feitas de madeira e gesso para pessoas; pois quando é “fulano de tal”, enche um lugar, mas quando é “ciclano” ninguém é capaz de se dignificar a ouvir o que tem para falar. Hoje, Paulo, se estivesse a pregar em nosso meio, não faria sucesso nenhum, pois além de não falar bem, ainda falava bastante, e não queremos que o culto, a reunião se estenda além do horário.

Na igreja, onde o conceito correto seria o servir uns aos outros, trocamos pelo ser servido, por ter a primazia, o destaque. Deixamos de nos preocupar com a necessidade dos outros, com as fraquezas dos outros, com as deficiências dos outros e nos preocupamos somente conosco, com os nossos interesses, e desejos. Priorizamos o egoísmo em detrimento do amor prescrito por Jesus em sua oração, desprezamos a unidade do corpo, em favor da defesa do ponto de vista pessoal e desejo pessoal de ser destaque e estar a frente.

Até quando viveremos uma “igreja” que não é a igreja? Até quando manteremos o nosso coração enganado, dando a justificativa que é “um mal necessário”? Quando estaremos dispostos a abandonar, a morrer para tudo isso para viver a vontade de Deus? Até quando deixaremos de combater a carne para que que a vontade de Deus, suas virtudes se revelem através do corpo? Até quando acharemos que ser líder é dar ordem e não ser exemplo? Até quando continuaremos a pensar que “pastor”, “presbítero”, “bispo” não é cargo e sim uma função no corpo e que o seu papel não é ser “chefe” e exigir “obediência”, mas ser o exemplo para o rebanho? Até quando manteremos um zelo pelo que criamos e não pela vontade de Deus e pelo que Deus criou?

Precisamos parar de viver uma vida cheia de egoísmo, orgulho, arrogância e hipocrisia,  precisamos sim, aprender e compreender que o nosso papel, a nossa função no corpo, não é agradar a nós mesmos e nem a nossa vontade, e sim ao próximo, àquele que é mais fraco, ao que não entende a libertação concedida, que não experimentou da graça recebida e nem desfrutou do entendimento completo o que significa ser livre, livre do pecado, mas não para viver conforme pensa ou acha, mas está livre de si mesmo, de sua vontade para que haja o crescimento do corpo.

Precisamos repensar “igreja”, não com os olhos humanos; mas com os de Deus, não dentro das limitações dos homens, mas nas possibilidades de Deus, ou será que pensamos que Deus não é o mesmo que ressuscitou a Jesus, que fez a igreja do livro de atos crescer e se espalhar pelo mundo, que chamou pessoas como Paulo, que não era um bom orador; mas que compreendeu e teve o zelo verdadeiro pelas coisas do reino? Repensemos o reino segundo a perspectiva de Deus, não nossa.