Por favor, o objetivo não é trazer e nem fazer polêmica aqui, mas refletirmos em qual o nosso papel diante do propósito e da vontade de Deus. Precisamos avaliar o que temos feito, os nossos posicionamentos, os extremismos, nossas “posições” e “posturas” diante de uma realidade que não é de hoje.
Por que fazemos “tempestade em um copo d´água”, para uma questão é tratada de forma tão simples por Deus? Por que achamos que temos que ser melhores que aquele a quem chamamos de mestre e Senhor?
É o nosso papel julgar, condenar e excluir? Por que queremos fazer distinção entre pecadinho, pecado e pecadão? Por que não compreendemos a lei deixada pelo nosso Mestre e Senhor? Paulo, em sua carta aos Romanos fala claramente dela: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor. ” (Romanos 13:8-10).
Quando falamos de “amor”, não estamos falando de “fileo”, “eros”, mas sim, de “ágape”. Estamos falando do amor de Deus, que acolhe, recolhe, que manifesta misericórdia, paciência, longanimidade, que provê graça, que revela vida, que manifesta justiça. Não justiça como conhecemos no mundo, mas a justiça de Deus revelada e dada aos homens, distribuindo vida, trazendo a reconciliação e a salvação.
Precisamos entender uma coisa muito importante e descermos do pedestal em que nos colocamos, achando que somos Deus, para determinar e escolher quem deve e quem não deve ser salvo. Somos pecadores, somos todos pecadores, não existe um justo se quer pela vontade do homem. Recebemos de Deus o que nos foi concedido gratuitamente pela obra de Jesus na cruz, a salvação de nossas almas, através do sangue de Cristo, e é através deste sangue que podemos entrar na presença de Deus. Não existe mérito nosso, não existe qualquer honra nossa; mas tudo vem de Deus, é por meio dele e para ele. Precisamos entender isso. Estamos aqui não para dizer quem pode e quem não pode. Estamos aqui para chamar, para acolher, para receber. Quem entra ou não, quem vai ser lançado fora compete ao nosso Senhor, não a nós.
Na época de Jesus não era a questão homossexual que faziam com que fossem excluídos pelos religiosos; mas sim a lepra. Quem era leproso, era excluído da sociedade, vivia as margens, não podia estar no meio do povo. O que fazemos hoje com o homossexual? Não fazemos a mesma coisa em nossas atitudes, palavras e posturas? O que Jesus fez na sua época? Não acolheu, não amou? Ou ele manteve a mesma atitude dos religiosos? Se é para sermos como os religiosos da época de Jesus, onde fica a lei do amor?
Por que aceitamos então e somos permissivos com relação ao mentiroso, ao ladrão, ao hipócrita, ao egoísta, ao avarento, ao adúltero, ao orgulhoso? Por que queremos fazer distinção? Não existe razão. Não existe motivo. Não é nosso papel. Nosso papel é levar o reino de Deus, a igreja ao mundo, permitir, através da manifestação da graça, do amor, da bondade, benignidade, longanimidade, justiça de Deus revelada através de nós ao conhecimento de todos os homens, sem restrição, sem regras, sem exceção.
Tendo conhecido tamanha graça, tamanho amor e rejeitarmos, então não há ação de justiça da parte de Deus que possa nos justificar. Não somos melhores que ninguém, não estamos acima de ninguém, estamos aqui para cumprir, realizar e revelar Deus aos homens. Ou seremos nós os condenados por não termos acessado esta graça que é dada gratuitamente a todos? Como o próprio Jesus afirmou em uma de suas palavras: “jamais vos conheci, apartai-vos de mim” (Mt 7:15-23). Somos mordomo, não o dono da casa.