Arrogância dos que nada são

“Uma voz diz: Clama; e alguém pergunta: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do Senhor. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.” (Isaías 40:6-8, RA Strong). “Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar.” (Isaías 40:26, RA Strong). “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” (Isaías 40:29-31, RA Strong).

Por que somos tão arrogantes, tão presunçosos diante das situações e das pessoas, como se fôssemos melhores, como se tivéssemos a qualificação necessária para criticar, condenar o ato das pessoas que nos cercam? Por que nós, a maioria dos cristãos, nos achamos “santos” o suficiente para condenar o ladrão, o assassino, o drogado, o homossexual, a prostituta, e os tratamos muitas vezes em nossas palavras como “escória” da sociedade? Por que achamos que a religião do outro é inferior a nossa? Por que desprezamos as pessoas? Por que criticamos tanto o que os outros fazem e não criticamos a nós mesmos em nossos atos? Por que achamos que a mentira, a hipocrisia, a religiosidade não são condenáveis diante de Deus e consideramos todo o resto como algo desprezível diante de sua face?

Nós que nos auto-denominamos de cristãos, deveríamos ser o exemplo da chamada “atitude politicamente correta” tão apregoada na sociedade e deixarmos de lado a arrogância e a prepotência de achar que somos alguma coisa. Somos, como qualquer um outro, primeiramente pecadores, conhecedores da graça de Deus, sim, e muito; mas pecadores, e por ser conhecedores da graça, devíamos seguir o exemplo de nosso mestre. Esvaziarmos de nós mesmos, do que pensamos e achamos para obedecermos e cumprirmos o propósito de Deus para as nossa vidas aqui nesta terra. Estamos aqui não para apontar defeitos e falhas das pessoas, não para sermos criticadores, ou apontadores dos defeitos da raça humana; mas estamos aqui para sermos cartas vidas, sermos o bom perfume de Cristo. Permanecemos neste mundo para revelar e distribuir a graça de Deus, não para condenar, não para criticar, não para menosprezar, como muitos de nós fazemos. Quando temos este tipo de atitude, fazemos estas coisa baseadas no exemplo e ensinamento de Jesus? Ou fazemos como os religiosos da mesma época de Jesus: “dou graças porque não sou como este publicano”?

Se reconhecemos a nossa insignificância, nossa incapacidade de fazer algo de bom, nossa impossibilidade de nós por nós mesmos, fazermos qualquer obra boa, termos em nós mesmos qualquer atitude que espelhe a glória de Deus, então compreenderíamos o quanto somos como a relva, como o orvalho da manhã. Podemos viver e obter toda a nossa força, toda a capacitação, para espelharmos em Jesus, para termos a mesma atitude que ele, que acolheu o ladrão, que acolheu a prostituta, o leproso, o publicano, o coletor de imposto e tantos outros que eram desprezados pela sociedade de sua época. Não deveríamos imitar o exemplo de Jesus em nossos dias? Não deveríamos ser exemplo de compaixão, de manifestação e revelação da graça de Deus? Por que achamos que condenando faremos as pessoas mudar de atitude?

Renovemos a nossa força no Senhor, morramos para nós mesmos, para o que pensamos e achamos, aprendamos a olhar com os olhos do Senhor e a cuidar das pessoas com o seu coração. Somente faremos isso, se reconhecermos a nossa insignificância, nossa dependência completa do autor da vida, se reconhecermos que a força para viver e fazer segundo o coração do Pai, somente obtemos nele. A quem Jesus dirigiu, aos arrogantes e presunçosos de sua época? Ou àqueles que sabiam que nada eram, nada tinham e eram desprezados pelos homens? Tenhamos os mesmos olhos do Senhor e o mesmo coração em servir e glorificar ao Senhor em nossas atitudes e em nossa obediência ao que Jesus falou!!