“Deus é o meu Salvador; eu confiarei nele e não terei medo. Pois o Senhor me dá força e poder, ele é o meu Salvador.” (Isaías 12:2, NTLH). “Está chegando o Dia do Senhor, dia terrível da sua ira violenta e furiosa. A terra será arrasada, e os pecadores serão mortos.” (Isaías 13:9, NTLH). “O Senhor Deus diz: “Eu vou castigar o mundo por causa das suas maldades; vou castigar as pessoas perversas por causa dos seus pecados. Acabarei com o orgulho dos vaidosos e humilharei as pessoas violentas.” (Isaías 13:11, NTLH).
Dois aspectos da mesma justiça, dois aspectos aparentemente contraditórios quando olhamos com os olhos humanos e não compreendemos a justiça de Deus. A primeira pergunta que devemos responder: Deseja o Senhor castigar o mundo, deseja ele destruir e lançar no inferno as pessoas? A resposta óbvia para este aspecto é não. Mas como será ele capaz de fazer isso? O que nos leva a afastar a ira de Deus sobre as vidas dos homens? Qual o nosso papel?
Primeiramente vamos compreender a situação do homem, como ser natural, como nascido da carne. Precisamos entender que o homem, por si, já está morto, já está separado de Deus, como Paulo escreveu aos Efésio: “Antigamente, por terem desobedecido a Deus e por terem cometido pecados, vocês estavam espiritualmente mortos.” (Efésios 2:1, NTLH). O estabelecimento da justiça de Deus, o dia da ira, é um dia onde será confirmado o que já é uma realidade. Para o homem, já não resta opção, não resta alternativa. Todos estão mortos e separados de Deus. O dia da ira será somente o momento de ratificar o que de fato já é uma realidade. Mas como escapar desta realidade? Tem para nós alguma solução? Como escapar do dia da ira? Do dia quando o Senhor há de julgar os vivos e os mortos. A justiça de Deus se revela neste fato maravilhoso, justiça, manifesta em amor. Pois nós que não tinhamos escapatória, nós que já estávamos condenados, nós que já estávamos mortos, separados de Deus, recebemos do próprio Deus a solução, o escape, a oportunidade de reconciliação. Mas como? Através da cruz, através da morte do Senhor na cruz. Ele foi oferecido como libação, como uma oferta pelo nosso pecado, para que fôssemos reconciliados com Deus.
Somente através da cruz é que encontramos o descanso para as nossas almas, o novo nascimento, a reconciliação com Deus. Não existe alternativa, não existe outro meio, não existe outra alternativa. Em Cristo, quando entregamos as nossas vidas a ele, para que seja Senhor e Salvador, morremos para nós mesmos, para a nossa vontade, para a natureza humana, e ressuscitamos para vivermos em novidade de vida, agora como filhos de Deus. Feitos filhos através do novo nascimento, como está na carta aos romamos: “Agora já não existe nenhuma condenação para as pessoas que estão unidas com Cristo Jesus. Pois a lei do Espírito de Deus, que nos trouxe vida por estarmos unidos com Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte. Deus fez o que a lei não pôde fazer porque a natureza humana era fraca. Deus condenou o pecado na natureza humana, enviando o seu próprio Filho, que veio na forma da nossa natureza pecaminosa a fim de acabar com o pecado. Deus fez isso para que as ordens justas da lei pudessem ser completamente cumpridas por nós, que vivemos de acordo com o Espírito de Deus e não de acordo com a natureza humana. Porque as pessoas que vivem de acordo com a natureza humana têm a sua mente controlada por essa mesma natureza. Mas as que vivem de acordo com o Espírito de Deus têm a sua mente controlada pelo Espírito. As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana acabarão morrendo espiritualmente; mas as que têm a mente controlada pelo Espírito de Deus terão a vida eterna e a paz. Por isso as pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana se tornam inimigas de Deus, pois não obedecem à lei de Deus e, de fato, não podem obedecer a ela. As pessoas que vivem de acordo com a sua natureza humana não podem agradar a Deus. Vocês, porém, não vivem como manda a natureza humana, mas como o Espírito de Deus quer, se é que o Espírito de Deus vive realmente em vocês. Quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a ele. Mas, se Cristo vive em vocês, então, embora o corpo de vocês vá morrer por causa do pecado, o Espírito de Deus é vida para vocês porque vocês foram aceitos por Deus. Se em vocês vive o Espírito daquele que ressuscitou Jesus, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dará também vida ao corpo mortal de vocês, por meio do seu Espírito, que vive em vocês.” (Romanos 8:1-11, NTLH).
Como está escrito no evangelho de João que fala desta justiça, de oferecer gratuitamente a escapatória da morte, da separação eterna de Deus, recebendo a reconciliação: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16, NTLH).
Nisto está a manifestação do amor de Deus e de sua justiça: nós não tínhamos solução, já estávamos mortos, já estávamos separados; mas Deus nos deu a reconciliação, nos ofereceu vida, nos ofereceu a restauração e união com ele. Agora se rejeitamos esta oferta, se rejeitamos o que gratuitamente nos é oferecido, como podemos nós escapar de algo que já é a nossa realidade?
Viver uma vida segundo o coração de Deus, viver uma vida espiritual, andando segundo os preceitos do Espírito, não é um talvez, é uma caracteristica de quem nasceu de novo. Não é uma opção, é uma determinação. Como podemos nós que recebemos tão grande salvação, tão grande vida, rejeitar isso tudo e querer continuar na carne? Mais do que isso, somente podemos cumprir o nosso papel se vivermos pelo Espírito. A nós, foi dado o papel de reconciliar os homens com Deus, levando uma mensagem pura e verdadeira. Mensagem não só de palavras, não só de pregação, mas vida, atitude, ação. Somos cartas vivas, somos o bom perfume de Cristo.
Quem é filho, quem nasceu de novo, tem um papel fundamental e importante no processo de reconciliação do mundo com o Criador. Cabe a nós a expansão do reino de Deus, cabe a nós levarmos uma mensagem viva de transformação, para que o mundo possa ser reconciliado. Para que o mundo possa ver Deus, sua glória e graça através de nossas vidas.
Temos este papel, temos a obrigação de levar as pessoas a oportunidade de vida e de reconciliação com Deus. Não é uma opção, é uma obrigação, obrigação de amor, do mesmo amor que Deus revelou a nós. Sermos filhos não é uma questão de sermos religiosos, ou acharmos que somos melhores que qualquer outro pecador, mas a oportunidade, de demonstrarmos, como Jesus, a mesma atitude. Abrir mão do que somos, do que desejamos, e nos sujeitarmos a vontade de Deus, em cumprir e realizar o seu desejo: que todos sejam salvos; portanto, temos a obrigação, obrigação de amor, em ir, fazer discípulo e ensinar a cada um a viver conforme o coração e a vontade de Deus.