“— Eu, o Senhor Todo-Poderoso, tinha ordenado isto ao povo: “Sejam honestos e corretos e tratem uns aos outros com bondade e compaixão. Não explorem as viúvas, nem os órfãos, nem os estrangeiros que moram com vocês, nem os pobres. E não façam planos para prejudicar os seus patrícios.”” (Zacarias 7:9-10, NTLH). “São estas as coisas que vocês devem fazer: digam todos a verdade uns aos outros e decidam com justiça os casos nos tribunais a fim de que haja paz. Porém não façam planos para prejudicar uns aos outros e não jurem falso, pois eu, o Senhor, odeio tudo isso.” (Zacarias 8:16-17, NTLH).
O que significa: “não prejudicar uns aos outros”? O que é decidir “com justiça”? foi Deus justo ao dar o seu próprio filho como propiciação pelos nossos pecados para que pudéssemos ser reconciliados com ele e assim estar em sua presença? O que efetivamente é a justiça divina?
Não podemos confundir a justiça divina com a justiça humana, com o conceito que temos do que seja justo. Para o homem, fazer justiça é dar ao outro o que ele merece, ou seja, se é uma assassino, o que o mesmo merece é a condenação, a morte. Se é um estrupador, o mesmo. Nós compreendemos muito o conceito de justiça como sendo o conceito “do olho por olho, dente por dente”, não é verdade? Não é assim que agimos e não é assim que muitas vezes desejamos? Não desejamos que aqueles que nos fizeram mal sejam punidos severamente?
Imaginemos se assim agisse Deus para conosco? Teríamos alguma chance? Seríamos de alguma forma aceitos por Deus? Deus para mostrar o seu amor e a nossa incapacidade de por nós mesmos de alcançar a sua justiça estabeleceu a lei. E a lei, que seria a nossa libertação, representou para nós a condenação; pois nós, pela lei, demonstramos claramente que não somos capazes de cumprir o que ela determina. Assim podemos ver pelas simples citações acima. Somos capazes de ser justos, defender o interesse de quem necessita, somos capazes de julgar com equidade? Não, nós demonstramos, nos mínimos detalhes que não somos capazes de não fazer mal as pessoas, de não agir com leviandade e mesmo de tolher o direito dos outros (em grandes proporções ou em pequenos detalhes).
A justiça de Deus se revela de uma forma totalmente diferente do que pensamos, ou imaginamos. Nós desejamos a punição, mas Deus, nos oferece, em sua justiça, através de Jesus Cristo, que se fez justiça por nós, a reconciliação, o reencontro, a possibilidade de comunhão. Não sendo nós capazes de realizar o seu desejo pelas nossas forças, ele concede o seu filho, para nos reconciliar; mas muito mais que reconciliar, ele nos dá da sua natureza, nos capacita, nos concede tudo que precisamos para viver uma vida de justiça. Mas justiça que procede do seu trono, que produz em nós a mesma atitude de Jesus, na cruz ao perdoar o que estava ao seu lado, sendo crucificado com ele. Somos nós capazes de conceder tal grau de perdão?
Quem somos nós para acharmos que alguém não mereça o perdão? Quem somos nós para condenar um assassino ou um estrupador, ou um molestador de crianças? Podemos nós condená-los? Devemos nós condená-los? Qual deve ser o nosso papel? Que atitude devemos tomar? Quem somos? O que estamos aqui para fazer? Para agirmos conforme a natureza humana, ou conforme a natureza divina?
Como filhos, como novo ser, como nova criatura precisamos aprender a revelar a justiça de Deus em todas as nossas ações e não a agirmos como cidadãos do mundo, mas sim, como cidadãos do reino de Deus. Que o Senhor nos conceda sabedoria e entendimento para compreender como devemos agir.