A graça e a lei

Nós compreendemos na teoria a diferença entre a graça e a lei? Entre o velho e o novo testamento? Embora compreendamos o que significa graça, e entendamos a diferença, ainda assim, procuramos, muitas vezes, através da lei viver de forma a agradar a Deus. Queremos realizar o que está prescrito na lei, criamos dogmas, ensinamentos, realizamos e instituimos práticas com o intúito de levar as pessoas a praticar certos rituais para que assim possam se sentir aceitas por Deus. Como algo resultante de suas ações.

Precisamos compreender o princípio da graça e vivermos na prática segundo esse princípio; pois Jesus “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1:11-13, BEARA). “Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” (João 1:16-17, BEARA).

Na lei deveríamos compreender os mandamentos e viver conforme estava prescrito, obedecendo rituais e procedimentos de purificação, o processo de santificação, de sermos separados, para sermos aceitos por Deus. Dependia de cumprirmos os mandamentos e obedecer os preceitos estipulados pela lei. Observava o exterior, a santificação era algo externo, tanto que se tocássemos ou desobedecêssemos algum mandamento, então estaríamos impuros e tínhamos que passar pelo processo de purificação. Era algo que se impunha de fora para dentro, da aparência para o interior. Dependia de realizarmos, de cumprirmos e de obedecermos para sermos aceitos.

Na graça o princípio de tudo é inverso. Não depende de nós. Não depende do que podemos ou não podemos fazer, do que damos conta ou não. Mas sim, de um processo de transformação que se origina no interior e flui para o nosso exterior. Não depende de nós, não depende do que fazemos ou deixamos de fazer. É algo que recebemos, recebemos gratuitamente em Cristo Jesus. Antes se tocássemos algo impuro, ficaríamos impuros, agora, fomos feitos santos, e tudo o que tocamos se torna puro, onde pisamos é santificado, onde estamos a glória de Deus enche. A obra,  a transformação ocorre de dentro de nós para fora, alcançando vidas e corações.

Por ser algo dado, concedido por Deus, a graça não depende de nós; mas depende unicamente de Deus, do conceder e do abrir entendimento para que possamos receber. Não depende de nós, mas unicamente de Deus. É algo para nós imerecido. Precisamos compreender isso, por isso, quando tivermos o entendimento, então entenderemos que não precisamos buscar no velho testamento ações e atitudes, postura, forma de vestir, de andar, tipo de cabelo, procedimentos, e uso de instrumentos e parafernálias para que Deus esteja conosco e nos aceite; pois não depende de nós. O que depende de nós é recebermos aquilo que nos é oferecido. Deus não aceita outra coisa a não ser o oferecermos a nós mesmos, o reconhecer de nossa incapacidade de cumprir a sua vontade, de atender o seu coração para vivermos como o agrada. O que Deus espera de nós é um coração quebrantado, um coração humilde, um coração que deseja ardentemente receber dessa vida, para viver de forma que agrade aquele que nos dá vida.

Viver pela graça é recebermos de Deus, com toda humildade, reconhecendo nossa condição de miserabilidade, para que Ele opere em nós e através de nós; como vasos para a sua honra, para que a sua vontade, seu amor, sua graça, sua bondade, sua glória alcancem todas as pessoas nessa terra. Não depende do que fazemos, mas unicamente de nos colocarmos a disposição de Deus, de oferecermos o nosso corpo para ser instrumento útil ao reino.