Miserável homem que sou

Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24, BEARC). Por miserável devemos compreender como sendo uma pessoa desventurada, infeliz, digna de compaixão, desgraçado (desprovido de qualquer graça). Paulo, expressa dessa forma após sua conclusão de que através da natureza humana ele seria incapaz de cumprir a vontade de Deus. É o momento que todos nós passamos quando compreendemos nossa miserabilidade diante do trono de Deus, diante de tanta graça, tanto amor que nos é revelado por intermédio de Jesus Cristo.

Jesus no sermão da montanha, expressa o mesmo ponto, e diz que bem aventurado, feliz é a pessoa que consegue enxergar a sua miserabilidade, sua incapacidade de prover a quem quer que seja qualquer coisa boa, a incapacidade de fazer o bem, a incapacidade de cumprir a vontade de Deus pelas próprias forças: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. ” (Mateus 5:3, BEARA). Quando consiguimos enxergar a nossa miséria, nossa incapacidade diante de tamanho amor de Deus, diante de tanta graça, não nos resta alternativa a não ser chorarmos, a não ser nos prostarmos diante do trono da graça e confessarmos nossa dependência.

Ao compreender nossa condição de miserável, que somos incapaz de fazer qualquer coisa, que somos total, completa e absolutamente dependente de Deus, então, como Jesus afirmou: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. ” (Mateus 5:4, BEARA). Ao chorar, ao nos prostarmos diante do trono de Deus, arrependidos por qualquer ato de arrogância, por qualquer ato de acharmos que somos suficiente por nós mesmos e que podemos viver distante de Deus no nosso orgulho, nossa soberba e suficiência. É um ato de arrependimento de desejar mudar de atitude, mudar o comportamento. É o arrependimento que leva a mudança de postura.

Quando compreendemos nossa situação, quando nos arrependemos, quando nos colocamos nas mãos de nosso Deus, confessando nossa completa dependência, podemos como o apóstolo Paulo afirmou: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado. Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado,” (Romanos 7:25-8:3, BEARA), “Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Romanos 8:12-14, BEARA). Graças a Deus por Jesus Cristo que nos livra da morte, nos livra deste corpo e nos permite, por intermédio do seu Espírito vivermos segundo a Sua vontade.

Quando compreendemos estes dois aspectos de sermos pobres de espírito, de reconhecermos nossa completa dependência, e de prostrados chorarmos, arrependidos, então compreendemos as duas próximas bem aventuranças que o Senhor afirmou: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. ” (Mateus 5:5-6, BEARA). Precisamos compreender que ser manso não é ser calmo. Manso é a pessoa que confia, que espera, que descansa, que tem toda a sua fé (esperança) no Deus que dá vida, no Deus de quem depende. É aquele que confia integralmente, absolutamente no seu Deus. É aquele que sabe que todas as coisas, tudo, está debaixo das mãos de Deus e que nada, nada foge ao seu controle. É saber que tudo está no tempo de Deus, é aquele que é capaz de abrir mão dos seus direitos, de sua vontade para que a vontade, o plano e o querer de Deus se concretize. Não é uma pessoa passiva, quieta, mas sim ativa, que fala do amor do Pai, que fala da vontade do Pai, que se preocupa com o crescimento e amadurecimento das pessoas que são membras do corpo.

Ser manso, é compreender o que Paulo afirmou: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28, BEARA), e é ter a convicção como ele continuou a afirmar: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 8:31-39, BEARA)

O Senhor quer e deseja que aprendamos a ser mansos, que aprendamos a confiar no Pai, como Ele confiou. Quando compreendemos o amor de Deus, quando compreendemos sua graça, quando compreendemos a oração de Jesus “Pai Nosso” e quando entendemos a oração de Jesus em João 17, então não nos resta mais nada a não ser desejar ardentemente, ou seja, termos sede e fome da justiça divina. Quando desejamos que a justiça divina se concretize nessa terra, ou seja, que a vontade de Deus se cumpra, que o propósito do Pai se torne realidade, então, nos moveremos, nos disponibilizaremos como instrumentos de Deus para que Ele capacite, para que Ele use de forma que a sua vontade será uma realidade neste mundo.

Quando nos colocamos nas mãos de Deus para que sua vontade seja uma realidade, então viveremos de forma completa para cumprir o querer de Deus, para que o seu reino alcance todas as pessoas. Seremos instrumentos de Deus para o realizar da sua vontade. Espalharemos por todos os lugares a glória de Deus, o seu amor e a sua graça, pois somos instrumentos para que as virtudes de Deus alcancem todas as vidas.

E então, nos colocaremos disponíveis para que a grande comissão seja uma realidade em nossas vidas, nos colocaremos como Isaías disponíveis para sermos usados por Deus, como afirmou: “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.” (Isaías 6:8, BEARA). E assim, quando nos disponibilizamos, cumprimos a grande comissão: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. ” (Mateus 28:18-21, BEARA).

Compreendemos o amor e a graça do Pai para conosco? Dependemos do Pai?