Menos crente, mais cristão

O que temos sido em nosso dia a dia? No nosso viver diário? Nos nossos relacionamentos? Temos testemunhado de um Cristo vivo? Ou temos mais nos apegado a aparências, ações e atividades que temos que realizar? Criticamos os outros porque não são iguais a nós? Não se vestem como nós? Não falam como nós? Não fazem o que fazemos? Achamos que estamos acima das pessoas? Que somos “salvos” e “amigos de Deus” enquanto os outros jazem no maligno? Qual tem sido a nossa postura? De um crente arrogante, prepotente, e que se acha agradável a Deus? Como o fariseu? Ou temos sido diferentes nestes mundo?

““Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.”” (Lucas 18:11-12, NTLH). Ou seja, não fumamos, não bebemos, não somos separados, sempre vivemos em igreja crente, não fazemos isso, não fazemos aquilo, criticamos quem faz, criticamos qualquer um que pense diferente da nossa  forma de pensar, e nos achamos melhores que os outros. Quando assim fazemos, não estamos sendo cristão, estamos, simplesmente, sendo religiosos, e no caso aqui, simplesmente “crentes”. Crentes que dizem amar a Deus, mas que não obedecem aos seus mandamentos. Se dizem servo, mas não se submetem ao jugo do Senhor. Se dizem santos; mas vivem e permanecem em atitude de pecado (vida contrária a natureza de Deus, cheios de arrogância e hipocrisia).

Não existe uma postura de servo, de obediência, como Jesus falou: “Por acaso o empregado merece agradecimento porque obedeceu às suas ordens? Assim deve ser com vocês. Depois de fazerem tudo o que foi mandado, digam: “Somos empregados que não valem nada porque fizemos somente o nosso dever.” ” (Lucas 17:9-10, NTLH). Se nos achamos que somos os tais, os melhores e que todos deveriam fazer como fazemos, estamos sendo simplesmente crentes, e não cristão. Não entendemos ainda o que significa ser “cristão”.

Precisamos compreender que ser “cristão” é ser imitador de Jesus Cristo, ser o seu seguidor. Como seguidor, precisamos compreender que temos que imitar, temos que ter as mesmas aitudes daquele que dizemos imitar. Manifestamos os frutos do Espírito? Não, então precisamos rever o que estamos fazendo. Temos que mudar a nossa forma de pensar, pois se não o fizermos, continuaremos a ser o que somos, e não experimentaremos o melhor de Deus para nós e para o seu reino.

Enquanto não compreendermos que a transformação que o nosso Senhor deseja que experimentemos tem como origem o nosso ser interior, uma transformação que venha de dentro para fora, que não se baseia em atitudes, forma de vestir, maneira de falar, ou andar; mas que procede do coração. O reino de Deus irá crescer, expandir, quando compreendermos que ele,não está fora de nós, mas em nós, que que somente será conhecido quando vivermos segundo os princípios de nosso Senhor Jesus, como falou para alguns fariseus em sua época: “Alguns fariseus perguntaram a Jesus quando ia chegar o Reino de Deus. Ele respondeu: — Quando o Reino de Deus chegar, não será uma coisa que se possa ver. Ninguém vai dizer: “Vejam! Está aqui” ou “Está ali”. Porque o Reino de Deus está dentro de vocês.” (Lucas 17:20-21, NTLH).

Não existe maneira de ser cristão querendo viver segundo os preceitos do mundo, segundo a natureza humana. Tem que haver morte, temos que morrer para nós mesmos, para o que achamos sobre nós, para o nosso orgulho, arrogância, por acharmos que podemos servir a Deus de qualquer maneira, ou da forma como pensamos ser a correta. Isto não existe. Viver o reino, implica em tomar a cruz, morrer para a natureza humana, mudar a forma de pensar, esquecer do passado, dos princípios e valores que aprendemos nestes mundo. Deixemos de ser crentes, religiosos, sejamos mais cristãos, e precisamos ser em nossas pequenas atitudes de nosso dia a dia: não fazendo acepção, tratando com respeito e honra a prostituta, o bêbado, o andarilho, o pobre, o miserável, e oferecendo a todos, a oportunidade de conhecerem da graça e do amor. Não estamos aqui para condenar, mas para salvar, curar e reconciliar.