Pedro escrevendo aos irmãos, afirmou o seguinte: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” (1 Pedro 4:10, BEARA).
O ponto que precisamos entender é porquê devemos servir; e o quê deve nos motivar a servir. Se o fizermos com a motivação errada; então o nosso serviço não terá nenhum valor perante o Criador e não estamos sendo despenseiros da multiforme graça de Deus; mas sim, da nossa graça, para servir aos nossos interesses.
O serviço deve ser realizado por causado de quem somos. Recebemos da vida de Deus, somos filhos de Deus, temos a natureza do Criador, nossa vida está estabelecida em Deus. Como base na natureza recebida e em quem somos; nossas ações refletem a vida e a multiforme graça de Deus. Fazemos as ações, as obras, ajudamos uns aos outros com uma única razão; fazer Deus conhecido. Isto tanto do que não conhece a Deus; como daquele que ainda imaturo, precisa conhecer e compreender a natureza do Criador. Quando servimos estamos de fato tornando Deus visível a todos os homens.
Repartirmos, ajudamos, contribuimos com o crescimento (como instrumentos de Deus); para que através da igreja e por meio da igreja o nome do Senhor seja glorificado. Neste serviço que prestamos não existe qualquer motivação para a busca do benefício pessoal, da recompensa, ou do retorno. O nosso serviço deve seguir o mesmo princípio e fundamento estabelecido por Jesus Cristo. Ele esvaziou de si mesmo em nosso favor, conforme está na carta aos filipenses: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Filipenses 2:5-8, BEARA)
Agora, se existe em nós qualquer motivação de serviço, de repartir que seja a busca de uma recompensa, o reconhecimento, o eleogio, a promoção; então, o serviço que estamos prestando é em nosso próprio interesse. Este serviço não é aceito por Deus; pois não está calcado nos valores e nem na natureza de Deus; mas sim, na natureza humana, na busca de resultado e recompensas. O fundamento que norteia a vida humana é o serviço que foca no resultado, no alcance da recompensa e resultado para si mesmo em benefício de quem o executou; não para agraciar, abençoar e suprir necessidade.
Quando prestamos serviço, devemos além, de verificar a nossa motivação; mas também para quem fazemos e como fazemos. Estamos abençoando quem precisa, ou quem tem abundância e não necessita? Damos para que quem não pode retornar, não tem como nos abençoar; ou temos repartido para com quem pode nos devolver de alguma forma? Seja financeiramente, seja recompensa de posição ou algum tipo de reconhecimento?
Por isso Jesus disse, quando deres esmola (repartir) é para fazermos com quem tem menos que nós; pois assim estamos prestando o serviço de Deus e nenhuma recompensa teremos que não seja as que já nos foram concedidas em Cristo Jesus. Quando prestamos serviço, na realidade ou estamos fazendo segundo a natureza do Criador ou estamo servindo de fato a nós mesmos.
O serviço que prestamos uns aos outros não deve ter qualquer foco de retorno de investimento, sejam eles de cunho natural, humano, como: recompensas; sejam eles eternos, como salvação, reconhecimento de Deus do quanto somos bons. O intuítuo do serviço aos outros é revelar Deus, torná-lo visível aos homens; para que a Sua graça, a salvação alcance a todos e abençoe a todos.