Tudo, na chamada vida cristã, está relacionado a motivação do individuo no realizar das coisas. A aparência pouco importa; o que faz a diferença para o indíviduo é a sua motivação. Para as pessoas que o cercam, o resultado da ação, não a motivação, compreendemos isso?
Não podemos nos mover, realizar boas obras, com o intuíto de tentar nos justificar, de sermos “mais” aceitos por Deus, para acharmos que Deus irá se alegrar “mais” conosco. Deus não se alegra pelo que fazemos; mas sim pelo que somos. Isto é fundamental compreendermos. Pois quando entendemos que somos, então fazemos. Não fazemos para ter, para obter algo; mas sim, porque somos.
Paulo escrevendo a Tito, diz o seguinte: “a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens.” (Tito 3:7-8).
O que precisamos compreender é que recebemos a justificação pela graça, a vida de Deus pela graça, o seu amor que é derramado em nosso coração é pela graça. Nós não somos merecedores de qualquer ato de misericórdia de Deus. Nós, por nós mesmos, merecemos somente a condenação. Mas Deus revela o seu amor, ao prover para nós o meio de reconciliação. Ele nos faz seus herdeiros, recebemos da sua glória, da sua vida; não por merecimento, não por fazermos algo bom, não por sermos bom; mas única e exclusivamente como ato de misericórdia e graça e resultante do seu amor por nós. Ele sabe e nos conhece e, por nos entender, sabe que de nossa natureza não pode se originar nada de bom; mesmo que façamos muitas obras boas, e que alegram os homens. Isto por que? Porque quando fazemos segundo a natureza humana o que estamos de fato buscando é honra para nós mesmos; tanto que se não nos honrarem, deixamos de fazer. Estamos entendendo?
Agora quando reconhecemos a nossa justificação, quando entendemos que somos feitos filhos, que recebemos da vida de Deus, que somos transformados, então o que nos moverá no realizar das boas obras, não será qualquer ato para glorificar a nós (estamos compreendendo a motivação), mas sim, fazemos para expressar o que somos. Fazemos porque recebemos de Deus, ajudamos os outros, não porque queremos honra; mas porque desejamos expressar o que recebemos de Deus e para que Ele seja glorificado.
Precisamos entender que realizar boas obras, não é darmos o que sobra, o que não usamos e nem o que não nos interessa mais. Mas, realizar boas obras está relacionado a repartirmos, a dividirmos a abundância que temos recebido; implica em fazer escolhas de onde e como dispender o que recebemos de Deus.
Boas obras fazemos porque recebemos da vida e da natureza de Deus. Agimos como filhos, expressamos a natureza de Deus. Se o princípio que nos move (nossa motivação) for qualquer coisa diferente da que se origina em Deus, não é agradável a Ele.
Tudo é uma questão de natureza. Estamos priorizando a natureza espiritual que recebemos de Deus, ou estamos andando segundo a natureza humana. As obras, ou o resultado das obras será o mesmo para os homens; mas o que nos move a realizar será totalmente diferente quando olhamos pela perspectiva de Deus.
Uma atitude nos leva agir porque somos, porque recebemos e fazemos com expressão do que somos e de gratidão a Deus para que o seu nome seja louvado. Na outra situação, agimos porque queremos receber algo de Deus, queremos ser merecedores de algo, seja dos homens ou de Deus. Entendemos?
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