A quem nosso pecado ou justiça atinge?

Atenta para os céus e vê; contempla as altas nuvens acima de ti. Se pecas, que mal lhe causas tu? Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes? Se és justo, que lhe dás ou que recebe ele da tua mão? A tua impiedade só pode fazer o mal ao homem como tu mesmo; e a tua justiça, dar proveito ao filho do homem. Por causa das muitas opressões, os homens clamam, clamam por socorro contra o braço dos poderosos. Mas ninguém diz: Onde está Deus, que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite,” (Jó 35:5-10, BEARA)

 Nestas palavras de Eliu podemos observar um fato muito importante e que Tiago em sua carta menciona, assim como Paulo em todas as suas cartas.

A primeira observação que podemos fazer é com relação ao ato do pecado. Entendemos que pecar é viver de forma contrária a natureza de Deus, é andar segundo os princípios e fundamentos do pensamento humano e não segundo a natureza de Deus. O nosso pecado com relação a Deus é mantermos uma atitude rebelde quanto ao que seja a sua natureza, sua vida e sua vontade. Mas os pecados que cometemos, nós cometemos contra as pessoas.

Quanto agimos com egoísmo, a quem atingimos? Deus? Não, e sim as pessoas que estão a nossa volta. Neste ato, somente, negamos a vontade de Deus, vivemos em rebelião em relação a seu querer; mantemos uma atitude rebelde. Quando roubamos, matamos,  mentimos, enganamos, demonstramos orgulho, arrogância, prepotência, contra quem estamos pecando? Contra os homens, e não com relação a Deus. Com relação ao nosso Deus somente estamos confirmando que mantemos a nossa atitude de rebeldia e desobediência, demonstrando em atos que não o amamos. Quando Paulo escreve que devemos suportar uns aos outros, ter paciência, ajudar a quem necessita, dar ao próximo o que ele necessita, mesmo que seja o nosso opressor, a quem estamos beneficiando ou contra quem estamos pecando? Contra os homens.

A segunda observação importante é quando Tiago escreve que devemos fazer as boas obras, ou quando lemos que fomos criados em Deus para as boas obras, o que isto quer de fato dizer? Quanto fazemos boas obras, obras de justiça,a quem atingimos? As pessoas. Quando agimos em favor da pessoas nós as estamos beneficiando, estamos ajudando. As boas obras devemos fazer para os nossos amigos, para quem necessita ou mesmo para os nossos algozes, opressores ou mesmos inimigos. Podemos fazer isso, sem a vida de Deus ou com a vida de Deus, ou seja, podemos fazer por nossa causa, para recebermos honra dos homens, ou fazemos porque Deus diz que devemos assim fazer; porque fazer boas obras faz parte da sua natureza.

Quando temos a atitude de boas obras, com a vida de Deus, sendo usados por Deus como instrumentos de justiça, estamos agindo para o bem das pessoas, mas estamos glorificando a Deus, revelando sua natureza e a sua vida aos homens. Quando fazemos boas obras a glória de Deus, o amor de Deus, a graça de Deus atinge a todos indiscriminadamente. Compreendemos isso?

Por isso é importante compreender porque não devemos pecar e porque devemos fazer boas obras. E devemos fazer isso tudo como um ato de fé; pois para não pecar precisamos ter fé que o Senhor Jesus nos libertou do pecado, e por sermos livres, podemos escolher não atingir as pessoas com os atos da natureza humana, e assim glorificar a Deus. Quando fazemos o bem, praticamos atos de justiça, o mesmo acontece; pois fazemos baseado na revelação da nossa fé e na convicção de que foi Deus que nos transformou e nos usa para revelar a sua justiça entre os homens.

Sirvamos a Deus com entendimento. Não pequemos contra as pessoas, não mantemos uma atitude de rebeldia contra o criador, honremos o nome de nosso Deus, revelemos a sua glória e a sua virtude através de atos de justiça, como filhos que conhecem e vivem segundo a natureza de Deus.