Não existe vida fora da videira

“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5, BEARA). “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.” (João 17:22-23, BEARA).

Com o que temos que preocupar? Com o conhecimento? Em estudar e decorar toda a palavra escrita? Saber mais que os outros? Ter estudo e experiência de vida? Tudo isso nos faz cristãos? Seguidores do Senhor Jesus, expressão da sua glória, cartas vidas?

Precisamos compreender que o conhecimento é bom, sim, é muito bom, quando usado da forma correta e compreendemos a essências das coisas. Assim como no casamento, termos conhecimento, estudarmos muito sobre as diferenças entre o homem e mulher. Compreender como um reage, como o outro se comporta é fundamental; mas não é isso que faz um casamento funcionar; assim, como viver com Deus, andar com o Senhor, não é o conhecimento que nos fará melhores, mais cristãos; mas sim o nosso grau de relacionamento e dependência do Senhor.

No casamento quanto mais nos dirigimos pela dependência, pelo honrar, pelo glorificar da vida um do outro, o buscar agir em comum acordo, o discutir, o tomar decisões em conjunto, sobre investimentos, sobre o que fazer e não fazer, sobre a educação dos filhos, sobre respeitar os limites, sobre esperar e ajudar que o outro cresça, mais e mais os dois crescerão juntos e aprenderão a andar juntos, a tomar decisões de forma conjunta, e mais e mais, um se parecerá com o outro.

Com Deus é a mesma coisa, com uma diferença fundamental, que precisamos entender. Não é o que fazemos para Deus que faz a diferença; mas sim, o quando aprendemos a viver de forma dependente do Senhor, ligados a ele, compreendendo sua vontade, compreendendo a sua natureza, sua forma de justiça e de verdade. Não existe vida se não estivermos ligados ao Senhor, recebendo da sua vida.

Para Nicodemos, Jesus explicou que precisamos nascer de novo, nascer do espírito, entregarmo as nossas vida a ele, morrermos para nós mesmos, para a nossa natureza, para que nasçamos de novo, nascidos do espírito, recebamos a vida eterna que é de Deus e está em Deus, agora para andarmos unidos a ele, ligados a ele como em um casamento. Nesta atitude que Deus revela a sua justiça. Nós entendemos a justiça como algo que pune por estarmos errados, esta é o nosso conceito de justiça, não a de Deus. A sua justiça divina se mostra, por nós não termos condição de chegar a ele, ele se chega a nós, oferece-nos a condição de reatar o relacionamento, nos unirmos a ele, para que conheçamos e tenhamos da sua vida. Nós que estávamos mortos, somos reconciliados, restaurados, e assim, por Jesus, somos vivificados e podemos agora, viver em união eterna com o criador.

Por isso, temos que permanecer neste conceito de dependência, ligados ao Senhor, recebendo da vida que flui dele para nós. Ele é a videira, dele procede a seiva, a fonte de vida, por isso ele disse que quem cresse em seu nome, do seu interior fluiriam rios de água viva.

Quando recebemos da sua vida, da sua natureza, não temos razão para vivermos isolados, separados, mas unidos com ele, recebendo da sua vida, e unidos uns com os outros. Quando vivemos unidos uns com os outros, andando segundo a natureza, a vida de Deus, então manifestamos ao mundo o amor, a graça, a bondade e o verdadeiro conceito de justiça de Deus. Justiça que une, que tras, que busca.

Esta atitude de justiça, de dependência do Senhor é que ele deseja que revelemos a todas as pessoas. Só assim, aprenderemos a respeitar os limites, fraquezas dos outros, e poderemos, andar juntos para revelar o Senhor. Seja no casamento, seja na igreja, seja nos nossos relacionamentos, não conseguiremos suportar uns aos outros, se as nossas vidas não forem vividas na dependência e recebendo da vida eterna, conhecendo e prosseguindo em conhecer o Senhor; e só conhecemos e aprendemos a viver na dependência de sua vida, quando morremos para nós mesmos, para a nossa vontade e nosso querer.