Nossa importância para Deus

Temos uma visão distorcida do amor de Deus e de sua justiça. Enquanto não compreendermos estes aspectos básicos da natureza de Deus, teremos uma expectativa errada quando ao que recebemos e como Deus nos usa para se revelar ao mundo. Não podemos esperar de nosso Pai, do seu amor para com todas as pessoas, a mesma reação e atitude que, como homens, esperamos dos outros. Para aqueles que se entregaram e receberam pela fé a reconciliação oferecida, através de Jesus, devemos, morrer para nós mesmos, e viver agora segundo a natureza de Deus.

Quando alguém fala que nos ama, o que esperamos dela é que nos proteja, que faça tudo para o nosso bem. Nos sentimos guardados e confortados por causa deste amor. E isto é verdade com relação ao nosso Deus e Pai, que fez tudo por nós, que revelou a sua justiça, provendo para nós a condição para nos reconciliarmos com ele, como está escrito: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16, BEARA). Nós que estávamos mortos, separados de Deus, fomos reconciliados através de Jesus Cristo, o filho de Deus, como o próprio Paulo escreveu aos romanos: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5:12, BEARA). Mas, precisamos entender que somos justificados pela fé, como está escrito: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Romanos 5:1-2, BEARA).

Este é o amor de Deus para conosco. Não mediu esforço para nos reconciliar com Ele, oferecendo o próprio filho como propiciação (um favor, uma oferta, um sacrifício).  Isto quer dizer que Jesus, nosso Senhor, o filho, não era amado pelo Pai? Não parece isso uma contradição? Como pode amar e oferecer como um sacrifício para que os outros possam ser reconciliados com ele? É neste aspecto que está a questão fundamental para compreendermos a natureza de Deus, a mesma natureza que o Senhor Jesus tem. E esta natureza nós recebemos quando nascemos de novo, quando somos feito novas criaturas. Deus concede nos pela fé a sua natureza, como Pedro escreveu: “O poder de Deus nos tem dado tudo o que precisamos para viver uma vida que agrada a ele, por meio do conhecimento que temos daquele que nos chamou para tomar parte na sua própria glória e bondade. Desse modo ele nos tem dado os maravilhosos e preciosos dons que prometeu. Ele fez isso para que, por meio desses dons, nós escapássemos da imoralidade que os maus desejos trouxeram a este mundo e pudéssemos tomar parte na sua natureza divina.” (2 Pedro 1:3-4, NTLH). Tendo a natureza divina, recebendo tudo que nos capacita para viver segundo a vontade de Deus, qual é a expectativa que devemos ter de nós mesmos e do amor do Pai para conosco? Devemos agir como homens, como esperávamos no mundo, quando alguém que dizia nos amar? Ou devemos ter a mesma atitude de Jesus que foi oferecido como sacrífico por nós?

Se não compreendermos esta diferença básica entre o amor segundo a natureza humana e o amor segundo a natureza de Deus, de forma alguma poderemos viver o propósito de Deus para as nossas vidas. Jesus foi punido por Deus quando foi oferecido como solução para o problema do homem (estar separado de Deus)? Ou tendo ele o mesmo amor do Pai, tendo a mesma natureza divina, não se ofereceu como sacrifício de amor para que pudéssemos ser reconciliados com o nosso Deus? Não foi o próprio Jesus que se ofereceu para que pudéssemos ser reconciliados, e como Paulo escreveu, que deveríamos ter a mesma atitude de Jesus:  “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz.” (Filipenses 2:5-8, NTLH).

Quando somos humilhados, maltratados, ofendidos, magoados, ou somos colocados junto a pessoas difíceis, chefes insuportáveis, carrascos, quer dizer que Deus não nos ama? Quando filhos de Deus são jogados em prisão, como na China, ou na Coréia do Norte, quer dizer que Deus não ama estas pessoas? Quando diante de um assalto, diante de uma situação perigosa, entre um que é conhecedor da graça de Deus e daquele que não conhece a Deus, morre o que conhece a Deus, quer dizer que Deus não ama esta pessoa? Entre uma pessoa que é reconciliada com Deus e outra que não é reconciliada com Ele, quem deverá ser escolhido para morrer neste mundo? O filho de Deus ou aquele que não experimentou a graça de Deus? Segundo o pensamento humano, aquele que não conhece a Deus, correto? Não é este o senso de justiça e amor que temos? Não questionamos quando morre um cristão e é preservado o ímpio? Fazemos isso, porque não compreendemos a natureza e nem o amor de Deus para com os homens.

O que é esperado de nós, conhecedores de Deus e da justiça de Deus, participantes da natureza divina, quando estamos em uma situação de perigo e pessoas estão correndo o risco de vida, pessoas que não conhecem a Deus? Devemos deixa-las morrer? Ou devemos nos oferecer no lugar dessa pessoa? Devemos pensar em nós mesmos ou nas pessoas? Quando somos magoados, ofendidos, humilhados, maltratados o que devemos fazer? Nos revoltar ou reconhecer naquele momento como uma oportunidade para revelar o amor e a natureza de Deus?

Deus nos ama menos por nos colocar diante destas situações? Não, ele nos ama tanto quando ama qualquer homem; por isso deu o seu filho, para nos reconciliar com ele. Como temos o conhecimento de Deus, permanecemos neste mundo, com um só objetivo: fazer Deus, o nosso Deus, ser conhecido; revelar sua graça, bondade, seu amor para com os homens. Sermos humilhados, maltratados, ofendidos, mortos, não é uma questão de menos ou mais amor, mas sim, uma questão de revelar ou não o que somos; revelarmos ou não o amor de Deus e a sua natureza para os homens. E entre nós, que conhecemos a Deus, e aquele que não conhece; o nosso Pai não terá dúvida alguma em escolher que permaneça com vida aquele que não o conhece,  nos oferecendo como sacrifício para que as pessoas compreendam o seu amor por todos os homens.

Nossa atitude de amor e participantes da natureza divina deve ser a mesma de Jesus, nos oferecermos com instrumentos, como meio, como forma, para que todos os homens conheçam do amor do Pai, mesmo que entre um ímpio e nós, sejam nós as pessoas que iremos morrer, para que os outros possam ter a chance de conhecer, reconhecer e ver o amor de Deus. Sejamos filhos, revelemos a natureza de Deus e o seu amor ao mundo. Assim como o Pai, devemos agir da mesma maneira, não importa o que pensamos, mas é importante que tudo que fizermos, nossas atitudes e ações tenham um só propósito: fazer Deus conhecido, revelar o seu amor, revelar graça e bondade, não importa para quem, merecedor ou não , bom ou mau. Não estamos aqui para andarmos segundo a justiça humana e nem segundo o amor dos homens; mas segundo a justiça divina e o amor de Deus que nos alcançou.