Ter misericórdia e revelar graça

“E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.” (Jonas 4:2, RA Strong). “Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais? ” (Jonas 4:10-11, RA Strong).

Quantas vezes não temos nós a mesma atitude de Jonas? Quantas vezes não queremos ou não desejamos a punição e a destruição do ímpio, do pecador, daquele que machucou, ofendeu, magoou ou destruiu vidas? Quantas vezes não proclamamos a pena de morte para aqueles que são assassinos, pedófilos, estupradores, ladrões? Quando assim fazemos, não estamos tendo a mesma atitude de Jonas, e não queremos que Deus revele a sua graça e misericórdia para com essas vidas? Não temos nós a obrigação, como filhos, de proclamar, de realizar, manifestar e revelar pelo que somos a misericórdia e a graça de Deus para com todos,  independente do “pecado” cometido? Somos capazes de revelar a graça de Deus que é derramada em nossas vidas pelo Espírito Santo? Demonstramos compaixão pelas vidas que não conhecem a Deus? Ou nos consideramos melhor que essas pessoas?

Por que achamos que o assassino merece mais punição que o mentiroso e o hipócrita? Por que achamos que aquele que faz acepção de pessoas merece menos a condenação que aquele que foi ou é pedófilo? Que medida temos usado para definir estes parâmetros de julgamento? Certamente estes valores não são e nem provém do caráter de Deus. Ele coloca tanto o ladrão, como o assassino, como o mentiroso, o hipócrita e aquele que faz acepção de pessoa no mesmo “balde”. Todos ficarão fora da sua presença. Mas faz ele isso porque deseja punir? Não, mas sim porque estas pessoas não receberam o que lhes foi oferecido gratuitamente em Cristo Jesus. Não é o que as pessoas são que as impedem de receber a comunhão com Deus, mas sim, o rejeitarem a sua graça e o seu amor oferecido em Cristo Jesus gratuitamente, sem qualquer merecimento.

Nós que conhecemos a graça, a misericórdia de Deus não podemos ter a mesma atitude que Jonas, muito ao contrário. E justamente por isso precisamos revelar, levar a todos os homens, para que todos cheguem ao arrependimento, se convertam de seus maus caminhos, e passem a servir ao verdadeiro Deus.  Nós somos o instrumento de Deus que leva a natureza de Deus a todos os homens. Se nos negarmos a isso, então, negamos a própria natureza que nos foi concedida em Cristo Jesus. Devemos fazer isso, não porque nos tornamos melhores, ou porque agora somos especiais. Precisamos lembrar sempre, “somos pecadores”, a nossa carne está sujeita ao pecado como a de qualquer outra pessoa. O que nos diferencia, é o fato de termos recebido, termos tido o nosso espírito renovado, termos nascido de novo. Este nascimento para o Espírito, e a nossa morte para o pecado, que nos libertou em Cristo Jesus, é que nos dá força e capacitação para viver não mais debaixo do jugo do pecado. Somos livres em Cristo Jesus. Mas para não pecarmos, não podemos “baixar a guarda”, precisamos em todo o tempo viver e andar no espírito. Pois não deixamos de ser pecadores; e sim, deixamos de viver sob o domínio do pecado.

Por isso, conhecedores e experimentadores da graça e misericórdia de Deus, devemos leva-la a todos os homens, independente do que são ou fizeram. Somente assim o Senhor alcançará a todos.