O quanto somos diferentes?

“Não havia água para o povo; então, se ajuntaram contra Moisés e contra Arão. E o povo contendeu com Moisés, e disseram: Antes tivéssemos perecido quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor! Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para morrermos aí, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?” (Números 20:2-5, BEARA)

“Então, partiram do monte Hor, pelo caminho do mar Vermelho, a rodear a terra de Edom, porém o povo se tornou impaciente no caminho. E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil.” (Números 21:4-5, BEARA)

O quanto temos sido diferentos dos israelitas durante a peregrinação no deserto? Quantas vezes nos pomos a murmurar, a reclamar, a contender com Deus sobre o que está nos acontecendo, sobre os nossos problemas e dificuldades?

Por que não amadurecemos? Por que não deixamos de ser crianças espirituais? Por que não deixamos de viver segundo o coração recebido da natureza humana? Por que não mortificamos as nossas atitudes carnais (tanto do corpo, como da mente) e adotamos uma postura de filhos que precisam amadurecer e assumir responsabilidade? Por que não deixamos de olhar para nós mesmos e passamos a olhar para o Senhor, seu exemplo, sua atitude para conosco?

Até quando seremos semelhantes aos israelitas ou piores que eles; pois por mais que estejamos em dificuldades, nossas vidas nunca se aproximam do que enfrentaram? Nós não pararamos para pensar sobre o estilo de vida, sobre as dificuldades que tinham no deserto, ou já pensamos? Quando olhamos sobre essa perspectiva, para as coisas que temos a nossa disposição não temos qualquer motivo para reclamarmos de qualquer coisa que seja.

Se julgamos as nossas vidas não pelo que falamos que cremos, mas pelo que fazemos, pelas nossas atitudes no decorrer do dia, nas dificuldades e problemas que enfrentamos, o quanto temos sido diferentes das pessoas que estão a nossa volta? Temos sido semelhantes a elas em nossas atitudes, ou temos sido luz? Temos trazido um sabor diferente no meio onde convivemos, ou somos tão semelhantes aos mesmsos que em tudo parece que não existe motivo para dizermos em quem cremos?

Até quando continuaremos a ser crianças espirituais, continuaremos a viver na carne? Precisamos mudar as nossas atitudes, precisamos parar de olhar para nós mesmos, olhar para o nosso umbigo, para as nossas necessidades, para o que desejamos, para os nosso sonhos. Precisamos sim, olhar para o nosso Senhor Jesus, olhar para o seu exemplo, e olhar para vidas de servos como Paulo, Pedro, e tantos outros. O reino de Deus não tem os mesmos princípios egoístas desse mundo, nele não podemos viver como vivíamos no mundo. Precisamos fazer morrer a nossa natureza humana. Em Cristo fomos libertos do poder e do dominio do pecado, não temos mais razão para continuar a viver da mesma maneira, pensando somente em nós e em nossas necessidades.

Como filhos de Deus, nós que recebemos da natureza divina, recebemos da graça e do amor de Deus. Se desejamos ter vida em abundância precisamos compreender que recebemos não para reter, como aprendemos no mundo; mas sim para dar. Ter vida é manifestar vida, é dar vida, é distribuir o que recebemos, é distribuir o que recebemos de nosso Deus. Recebemos misericórdia, revelamos misericórdia, recebemos compaixão, distribuimos compaixão, recebemos amor, damos amor, recebemos perdão, concedemos perdão. Não existe outra forma. Viver o reino, viver conforme o Senhor, é assim que fazemos diferença no mundo, não dizendo que somos cristãos, mas imitando àquele nos deixou exemplo.