Nós muitas vezes falamos em nosso coração ou confessamos a outras pessoas que gostaríamos de fazer isso ou aquilo, que gostaríamos de alcançar muitas vidas suprindo-lhes as necessidades, mas por não termos recursos, não fazemos. Sonhamos muitas vezes em ganhar na loteria somente para usar o dinheiro para fazer essas coisas. Não é verdade? Mas esquecemos quem somos; por isso gosto tanto dessa passagem onde Jesus nos ensina sobre os limites e responsabilidades nossa.
“Mas o dia começava a declinar. Então, se aproximaram os doze e lhe disseram: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e campos circunvizinhos, se hospedem e achem alimento; pois estamos aqui em lugar deserto. Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer. Responderam eles: Não temos mais que cinco pães e dois peixes, salvo se nós mesmos formos comprar comida para todo este povo. Porque estavam ali cerca de cinco mil homens. Então, disse aos seus discípulos: Fazei-os sentar-se em grupos de cinqüenta. Eles atenderam, acomodando a todos. E, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou, partiu e deu aos discípulos para que os distribuíssem entre o povo. Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que ainda sobejaram foram recolhidos doze cestos. ” (Lucas 9:12-17, BEARA).
Os discípulos reconhecendo suas limitações, sugerem que Jesus disperse a multidão (cinco mil homens, fora mulheres e crianças). Estamos falando algo por volta de quinze mil pessoas, no mínimo. O que é isso para cinco pães e dois peixes? No nosso raciocínio não daria para preenhcer nem um buraquinho do dente de cada uma das pessoas. Mas Jesus o que fala? Alimente-os! Supra-lhes as necessidades. Eles como nós, sempre perguntamos: Como?
Nessa passagem começamos a aprender e compreender sobre nosso papel e o papel de Deus. Deus começa a agir quando enxergamos que nós não temos mais condições, quando não temos mais o que fazer. Somente quando reconhecemos que somos incapazes é que Deus começa a operar. Enquanto acharmos que somos nós que fazemos, ou que podemos, ou que temos alternativa ou alguma oportunidade, Deus não opera. Deus somente realiza no momento que reconhecemos, acabou, não temos o que fazer, não temos condição, não temos de onde tirar, agora somente com Deus, se Ele não fizer, nada acontecerá, se Ele não agir, nada mudará.
Nesse momento do reconhecer a limitação, Jesus faz o milagre, dá graças a Deus, e cinco pães e dois peixes alimentam cinco mil homens. Não é uma coisa para a razão explicar, não é uma coisa para a inteligência humana, não é para a nossa sabedoria, é simplesmente, o poder de Deus, a graça de Deus, a vontade de Deus se realizando através dos homens.
Talvez não seremos como Muller ou como Howells, que sem um tostão, e sem pedir nada a ninguém, somente na dependência de Deus, pela fé, orando, alimentaram milhares de crianças e fizeram obras que somente Deus é capaz de fazer.
Nossa vida deve ser vivida da mesma maneira. Enquanto acharmos que podemos fazer algo, que podemos mudar, que podemos fazer melhor, que podemos conseguir as coisas pela nossa inteligência e subterfúgios, Deus não operará, e será uma obra como a obra de qualquer um conduzida na carne. Mas quando reconhecemos a nossa limitação, quando reconhecemos que não temos condição, que se não for por intermédio do operar e do realizar de Deus (se não for a sua graça), nada poderemos fazer. Esse é o nosso limite. Esse é o momento de Deus começar a operar e a nos usar para a sua obra.
Sejam em grandes coisas ou pequenas coisas, precisamos aprender que dependemos totalmente de Deus e que na carne (inteligência, vontade própria) não fazemos a obra que Deus tem para realizar por nosso intermédio. Precisamos entender a obra não é nossa é de Deus, somos instrumentos. Por isso, podemos suprir a necessidade das pessoas.