Sede sal – não ireis

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mateus 5:21-22, BEARA). “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva. Não dêem ao Diabo oportunidade para tentar vocês.” (Efésios 4:26-27, NTLH). “Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.” (Salmos 4:4, BEARA) “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:18-21, BEARA).

Ira é o mesmo que cólera que significa: Impulso violento contra o que nos ofende ou fere; raiva; furor.

O que nos leva a ficar irados? O que nos leva a perdermos a paciência com as pessoas? Não seria nossa arrogância e de acharmos que somos melhores, ou não merecedores de uma ofensa? Quando queremos vingar? Não é quando fomos ofendidos? Desprezados ou magoados profundamente? Podemos ficar irados, sim, podemos; mas devemos dar lugar ao diabo? Não jamais. Isso que precisamos compreender, e quando o Senhor disse que não devemos nos irar, ou quando Paulo fala sobre irar e não pecar, precisamos, sempre, analisar o porquê. Quando começamos a questionar. Ou quando nos questionamos dos porquês das pessoas agirem assim ou assado, começamos a compreender que suas atitudes, suas ações, nada mais são reflexos do seu conhecimento, da sua capacidade de discernir as coisas, da sua capacidade de se situar, se defender ou agir. Quando passamos a analisar as atitudes dos outros com os seus olhos começamos a compreender o porquê fizeram ou tomaram determinada ação. E se olharmos para nós mesmos, muitas vezes nos vemos espelhados nas atitudes dessas pessoas. Não teríamos agido da mesma forma? Não teríamos cometido os mesmos erros? Se amamos a nós mesmos e somos capazes de odiar o nosso pecado e nos perdoar e continuar a nos amar, por que não seríamos capazes de fazer a mesma coisa com as pessoas que nos ofendem, nos magoam, ou falham conosco?

Não estamos aqui, nessa terra, para sermos imitadores de Deus? Não devemos nós seguir o exemplo de Jesus? Não foi Jesus abandonado pelos seus discípulos? Ficou ele irado com a atitude dos mesmos? Ou era ele um “pamonha”? Sim, aos nossos olhos, aos olhos do mundo foi um “pamonha”; mas segundo o princípio de Deus, demonstrou amor e compaixão por todas aquelas vidas. Não poderia ele ter se vingado todos os que o estavam ofendendo e magoando? Sim poderia, pois Ele mesmo afirmou a Pedro no Jardim, que poderia convocar legião de anjos; mas como ele disse que estava ali para aquela hora. Não poderia Ele ter se vingado de todos e descido da cruz? Sim poderia; mas qual foi a sua atitude? poderia ter se vingado de todos, ou pedido ao Pai que o fizesse; mas o que Ele fez? Não foi falar “Pai, perdoa-os pois não sabem o que fazem”? Quando nos iramos queremos vingar a nós mesmos, defender a nós mesmos, e não foi esse o exemplo que Jesus deixou, e não é isso que Paulo nos ensina em sua carta.

O nosso Deus e Pai é muito, muito mais justo que nós, e sendo justo, podendo, na sua ira nos destruir, pois por pecarmos, por transgredirmos a sua natureza, fazendo coisas que são totalmente oposta, Ele nos ensina o amor, nos ensina a perdoar. Por que não deveríamos ter a mesma atitude para com aqueles que nos ofendem em vez de nos irarmos? Por que somos melhores? Não devemos deixar o amor dar lugar a arrogância e o orgulho?