“Ninguém deve buscar os seus próprios interesses e sim os interesses dos outros.” (1 Coríntios 10:24, NTLH).
A pergunta que sempre nos fazemos: somos capazes de amar o pecador? O Senhor Jesus disse: “Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês,” (Mateus 5:44, NTLH). Como amar aqueles que nos perseguem? Como amar aqueles que nos ofendem e nos maltratam?
O Senhor, também, afirmou que os dois maiores mandamentos eram: “amar a Deus sobre todas as coisas” e “amar aos outros como a nós mesmos”, desses dois mandamentos dependiam toda a lei e os profetas; mas como esses aspectos tem a ver com a nossa incapacidade de amar as pessoas, de sermos capazes de odiá-las e rejeitá-las?
Precisamos mudar a nossa forma de pensar, precisamos refletir sobre nós mesmos e conhecer o que fazemos e como fazemos as coisas. Quando achamos que algo é impossível, então precisamos olhar sobre outra perspectiva: precisamos compreender quem somos, termos o entendimento do que Deus operou em nosso favor e da capacitação que nos concedeu por intermédio de Jesus Cristo. O milagre já foi feito, o impossível já foi realizado precisamos agora, compreender a nossa realidade e passarmos a agir conforme essa nova realidade que Deus nos deu. Precisamos lembrar sempre quem somos e de onde viemos. Tendo esses aspectos em nossas mentes esclarecidas o restante é uma questão de prática.
Se entendemos que estamos nesse mundo como instrumento de Deus, para revelar graça a todas as pessoas, todas sem exceção e se entendemos que a graça e o amor de Deus são derramados em nossas vidas pelo Espírito Santo, então, temos tudo e somos portanto capazes de amar as pessoas, mesmo aquelas que nos ofendem e nos perseguem.
Precisamos separar as pessoas do pecado que as mesmas comentem, assim como fazemos com as nossas próprias vidas, “conforme conta C.S. Lewis, durante um longo tempo ele não conseguia entender a diferença diminuta existente entre odiar o pecado de uma pessoa e odiar o pecador. Como seria possível odiar o que o homen faz e não odiar o homem? O resumo da história é a seguinte:
Anos depois, porém, ocorreu-me que havia um homem ao qual eu fizera isso toda a minha vida – isto é, eu mesmo. Por mais eu detestasse minha própria covardia, meu orgulho ou minha ganância, eu continuava me amando. Não houve nunca a mais insignificante dificuldade nisso. Na verdade, o próprio motivo por que eu odiava essas coisas era por amar o homem. Exatamente por amar a mim mesmo, sentia-me triste em descobrir que eu era o tipo de homem que fazia essas coisas.” (P.Yanccey, em Maravilhosa Graça).
Precisamos separar o pecado do pecador, ao pecador devemos revelar graça, devemos manifestar todo o entendimento de suas fraqueza e dificuldades, pois nós passamos pelas mesmas dificuldade. Podemos rejeitar o pecado, mas não temos como rejeitar o pecador, pois não rejeitamos a nós mesmos. Se não rejeitamos a nós mesmos, por que deveríamos rejeitar aqueles que cometem pecado, como nós. A maioria das pessoas que nos cercam são expressão do que nós mesmos somos, se somos iguais ou piores que os outros, então podemos amar, pois sabemos que são tão fracos e tão limitados na capacidade quanto nós somos. E mesmo nós, cometendo atos que rejeitamos completamente, ainda continuamos a nos amar e a buscar o nosso alvo como exemplo daquilo que devemos manifestar. Na igreja, temos um só propósito e devemos nos ver como os frequentadores dos AA, onde cada um é suporte para o outro para superar as suas fraquezas e para que cada um ajude o outro a superar o momento onde enfretamos as nossas tentações. Podemos amar as pessoas, pois o nosso Senhor nos ama independente do nosso pecado e nossas falhas como nos amamos.