A mesma medida

Qual é a medida que desejamos que Deus tenha para conosco? Qual a atitude que desejamos receber de Deus com relação aos nossos pecados, transgressões e atitudes rebeldes contra o seu plano para as nossas vidas?

Nós na maioria da vezes nos colocamos como vítimas diante de Deus, como merecedores de sua graça, sua bondade e de sua misericórdia. Mas nos postamos como um verdadeiro carrasco para com as pessoas que nos cercam. Somos algozes daqueles que nos ofendem, daqueles que nos maltratam e nos desprezam. Somos capazes de enxergar com toda riqueza de detalhe os defeitos das outras pessoas, capazes de puní-las, de recriminá-las, de desprezá-las e tratarmos como seres inferiores e dignos de toda a punição; mas não conseguimos enxergar que somos tão cheios de defeitos com àqueles a quem punimos, odiamos, rejeitamos e desprezamos.

Nós na nosssa arrogância, achamos que somente nós somos merecedores da graça de Deus e do seu amor. Somente nós merecemos o perdão daquele que deu o seu filho por nós. Pensamos que o “nosso problema” iremos resolver diretamente com Deus, e que as pessoas ao nosso lado não têm nada a ver com isso. E é nessa atitude arrogante, de orgulho e de acharmos que somos os únicos merecedores diante de Deus é que temos sido enganados pelo Diabo. Se recebemos graça, devemos distribuir graça, se recebemos amor devemos distribuir na mesma medida. E sabemos que o nosso Deus distribuiu amor, graça, misericórdia de forma abundante e de forma abundante, ou seja, sem medida devemos distribuir a todos. Qualquer postura diferente dessa é contrária a vontade e o plano de Deus, conforme Jesus afirmou: “— Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus. Porque Deus julgará vocês do mesmo modo que vocês julgarem os outros e usará com vocês a mesma medida que vocês usarem para medir os outros.” (Mateus 7:1-2, NTLH).

Se somos capazes de julgar e condenar os outros achando que não são merecedores do perdão imerecido, da graça imerecida, então, nós também não somos e temos outro aspecto importante a considerar e que proclamamos quando oramos, a oração do “Pai nosso” que diz: “Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam.” (Mateus 6:12, NTLH). No capítulo 18, versos 23 a 35, de Mateus tem uma estória contada por Jesus que Ele finaliza da seguinte forma: “E Jesus terminou, dizendo: — É isso o que o meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão.” (Mateus 18:35, NTLH)

Nós só não perdoamos quando não entendemos o perdão que recebemos, quando não tomamos posse do perdão, da graça e da misericórdia que Deus nos concede. Quando não compreendemos que a atitude de Deus para conosco não depende de nós, de nossa postura e nossa reação ao que Ele nos oferece, então não somos capazes de perdoar as pessoas que nos ofedem. Precisamos compreender que conceder perdão não está vinculado a qualquer ação de justiça, a qualquer atitude que a pessoa tome, mas sim, única e exclusivamente, dependente de nós. Depende de darmos, de concedermos, não o que temos, mas o que recebemos de Deus. E devemos conceder o perdão para  todas as pessoas que nos cercam e que nos magoam, nos ofedem e erram conosco.

Quando negamos o perdão as pessoas que erram conosco, estamos pedindo a Deus que faça o mesmos conosco. Ao desprezamos o perdão de Deus estamos tendo a mesma postura do Diabo, e nos achamos tão bons quanto o nosso Deus. Na nossa arrogância, orgulho e egoísmo, achamos que somos deuses e conhecedores do bem e do mal, e que somos, na nossa própria força capazes de decidir a quem perdoar, a quem amar e para com quem ter misericórdia.