“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado. ” (1 Coríntios 3:16-17, BEARA)
Por santuário devemos entender que era a parte interior e mais sagrada do templo. E se somos o santuário de Deus, como o podemos destruir?
Precisamos compreender primeiramente que como morada de Deus, seu santuário, não olhamos uma pessoa em si, mas o grupo, o santuário de Deus, a morada de Deus somos nós, o corpo de Cristo. Deus, nosso Pai, não se expressa através do individuo, ou seja somente através de mim e você. O nosso chamado é individual, isso sim; somos cada um de nós chamados, e nos entregamos ao nosso Senhor de forma individual; mas a expressão de Deus se dá através do corpo, a noiva de Cristo, a sua igreja (isso é fundamental compreendermos).
Jesus em sua oração, expressa em João 17, deixa isso de forma clara. Ele pediu ao Pai pela nossa unidade, pois através da unidade o mundo o conheceria como Senhor e Salvador. Por que a importância da unidade? Por que a importância da nossa expressão ser conjunta?
Precisamos entender que quando falamos de unidade, estamos reforçando os ensinamentos de Jesus, estamos vivendo a natureza de Deus, ou seja, através do corpo, devemos viver os ensinamentos do Senhor expressos no sermão da montanha. No corpo é onde expressamos amor, onde demonstramos que compreendemos o sentido de servir, de abrir mão do que pensamos em favor dos outros. É no corpo, que honramos uns aos outros, é onde manifestamos o amor, através do ato de suprir a necessidade uns dos outros, é onde deixamos de julgar as pessoas e as aceitamos, para ajudá-las no processo de transformação e compreensão da vontade de Deus. No corpo, compreendemos que a trave que está em nossos olhos é maior que o cisco no olho do nosso irmão. Na igreja é que entendemos que não existe limite para o perdão, que não existe restrição, separação, motivo para acepção, não existe diferença entre culto e inculto, entre letrado e iletrado, não existe diferença entre pobre e rico; pois todos nós somos iguais perante o nosso Deus, libertos do poder do pecado. Somos instrumentos usados por nosso Pai, para o crescimento e amadurecimento uns dos outros.
Somente quando olhamos para nós, para as nossas necessidades, para os nossos desejos, para o nosso querer é que deixamos de enxergar o corpo e o nosso papel no corpo. Somente quando achamos que estamos certos e que os outros estão errados, quando achamos que a nossa idéia é melhor, que o nosso jeito é o correto é que deixamos de enxergar o corpo e o nosso papel. Quando não compreendemos as diferenças, quando não entendemos que o importante não são as diferenças, quando não enxergamos e não compreendemos na prática o que significa servir, o que significa abrir mão em favor dos outros é que estamos destruindo o santuário de Deus; pois estamos provocando a separação entre os irmãos, por isso (3.17) “Destruir… destruirá: Em grego se faz um jogo de palavras com dois sentidos de um mesmo verbo que significa tanto profanar como destruir. Visto que a comunidade de crentes é o santuário de Deus (3.16), os causadores da sua divisão (versículos 3-4) a profanam e destroem. Por isso, serão destruídos como castigo pelos seus atos de sacrilégio.”
Antes de atender a natureza humana, devemos olhar o nosso Deus e imitá-lo, devemo abrir mão do que pensamos, do que desejamos, da nossa vontade para realizar a vontade de Deus, o crescimento e a unidade do corpo.