Amor e libertação

O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12:9-10, BEARA). “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.” (Romanos 12:20, BEARA). “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36, BEARA)

Compreendemos que devemos amar uns aos outros, amar os nossos inimigos, orar por eles, devemos ter compaixão para com todos, sermos complacentes, devemos honrar, devemos oferecer a outra face, compreendemos que devemos nos submeter uns aos outros, mas não conseguimos transformar conhecimento em prática, não conseguimos mudar nossas atitudes. Quando mudamos nossas atitudes o fazemos muitas vezes só exteriormente, mas em nosso interior continua o mesmo sentimento, ou seja, revolta, ira, desejo de vingança. Nos perguntamos, o que precisamos fazer para transformar conhecimento, entendimento em vida prática, que traduza o nosso conhecimento?

Como Jesus, como o Pai pôde morrer por todos? Quando lemos, pensamos somente no que denominamos de “normais” para a sociedade. Não conseguimos enxergar, do fundo de nosso coração, que o mesmo perdão concedido a nós, foi também concedido ao assassino, ao pedófilo, àquele que abusou de crianças, que nos rouba, rouba nossa liberdade, nossa alegria de viver. Como podemos amar a estas pessoas, nos perguntamos tantas vezes? Como podemos oferecer a outra face àquele que nos ofende, agride com palavras, despreza e nos trata com inferioridade?

Gostaríamos de nos libertar deste sentimento de mágoa, raiva de um dia para outro, que dormíssemos assim, e acordássemos assado, transformados em nossas atitudes de água em vinho, não é o que pensamos todas as noites quando meditamos em todas as ações e atitudes que tomamos durante o nosso dia em casa com os familiares, no trabalho com os colegas, na igreja com para com aqueles que consideramos irmãos?

Precisamos compreender o processo de Deus em nossas vidas, que não é algo imposto, mas que nos é ensinado, transmitido no nosso dia a dia pelo Espírito, nos ensinando e nos guiando na vontade do Pai, consolidando a transformação que Ele realizou no novo nascimento. Nas várias cartas encontramos que devemos fazer morrer a natureza humana, pois todos estes sentimentos têm origem na nossa natureza. Mas se olharmos o amor do Pai, o amor de nosso Senhor Jesus por nós compreendendo que o que Ele fez está acima de tudo isso que achamos que importa. Se olharmos compreendendo que o que Ele sofreu na cruz e durante a Sua vida, sempre esteve acima de qualquer ofensa, maus tratos que recebeu, então começamos a compreender a libertação que Ele nos concedeu. Ele nos libertou do pecado, da dependência de nossa carne, da nossa natureza humana, quando morremos com Ele. Não existe mais razão para nos sentirmos ofendidos, magoados, acharmos que merecemos um tratamento diferente, melhor e mais honrado. Jesus não exigiu isso, pois Ele era livre no Pai, livre para nos amar a nós todos que não merecíamos, mas nos foi ofertado. Jesus não foi obrigado a fazer o que fez por nós, Ele o fez por amor, amor a nós e ao Pai. O seu maior desejo era a nossa reconciliação. Precisamos entender que não existe expressão sincera do amor do Pai através de nossas vidas, se não compreendermos a libertação que nos foi concedida.