Solte as amarras

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32, BEARA)

O que é experimentar a verdadeira liberdade? O que é ser livre? O que é experimentar o prazer de não ter qualquer tipo de amarra que nos prenda? Do que somos escravos, se somos livres? Não é o que estamos pensando? Sou livre, tenho liberdade, faço minhas escolhas, falo o que quiser, sou livre e não tenho nada que me impeça. Não é este o pensamento?

Quando Jesus falou de conhecer a verdade e ela libertar. E o próprio Senhor falou que Ele é o caminho, a verdade e a vida; de que liberdade estava o Senhor Jesus falando? O que Ele queria dizer? Livres do domínio do pecado, sim. Ele estava falando destes aspectos, mas precisamos entender o que é pecado e que liberdade era esta que Ele apregoava. Estava Ele falando de nos tornarmos livres das paixões lascivas, da mentira, do roubar, do matar, do enganar. Ele estava falando de tudo isso e muito mais.

O que nos escraviza? Quais são os grilhões e cadeias invisíveis que mantemos e muitas vezes não vemos ou achamos que é normal, pois faz parte da sociedade em que vivemos? Jesus falava de uma libertação que iria além do que a sociedade condena moralmente, como a prostituição, o roubo, o engano, a hipocrisia. Ele falava de uma liberdade que nos leva a questionar cada atitude, cada gesto. Ele falava de uma liberdade que nos leva a pensar e a questionar os padrões e valores humanos.

A liberdade prometida é a liberdade dos preconceitos, sim, preconceitos de raça, de cor, de nível social, de grau de estudo, de papel na sociedade, de religião, da exclusão (se não é como eu e se não faz o que eu faço não é dos meus, por isso, sou melhor e não me misturo). Ele nos ensina a liberdade da inclusão. A liberdade de sentar com qualquer um e em qualquer lugar para falar e viver o Seu amor, pelos drogados, tatuados, prostitutas, homossexuais, ladrões. Liberdade para visitar e andar com quem necessita do perdão e do amor de Deus.

Ele falava da liberdade de não carregar mágoa, não se ofender, de perdoar quem quer que fosse e em qualquer condição. Liberdade para servir, mesmo que quem receba, não mereça os nossos serviços. Liberdade para honrar as pessoas mesmo que não mereçam. Liberdade para não aceitar qualquer tipo de discriminação e rejeição. Ser livre para ouvir cada um como precisa ser ouvido e não submeter a um preconceito, antes de pensar no que está sendo dito. Liberdade do consumismo que afeta a sociedade e tomarmos a decisão de não gastar no que não precisamos ou não agrega nada ao reino de Deus.

Ser cidadão do reino de Deus é viver a libertação deste mundo, de seus valores, padrões, libertação das exclusões sociais que o mundo impõe (como aconteceu no tempo de Jesus, com relação aos publicanos, pecadores, leprosos, prostitutas, etc).

Somos livres, sim, alcançamos em Cristo a verdadeira liberdade para amar e honrar, para servir e glorificar a Deus em cada palavra, atitude, posicionamento que tomamos; pois somos livres para fazer morrer a natureza humana que nos escraviza e nos leva a viver fora da vontade de nosso Deus, por isso, as palavras de Paulo aos colossenses ainda são vivas para nós: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Colossenses 3:5, BEARA). Soltemos, portanto, todas as amarras que nos prendem e que nos impedem de vivermos como filhos de Deus.