Só uma coisa

E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. ” (Marcos 10:21-22, BEARA)

Se não se lembra desta passagem, dê uma lida. Fala de um jovem que chegou a Jesus e perguntou o que precisaria fazer para obter a vida eterna.  Ele guardava todos os mandamentos, era fiel em sua religião, etc. Jesus virou para ele e falou que só uma coisa lhe restava fazer: abrir mão de toda a sua riqueza, ou seja, se libertar daquilo que prendia o seu coração. Precisamos compreender e ter sempre em mente, Deus não é contra a riqueza, somente, esta não pode ser um deus em nossas vidas, onde depositamos a nossa confiança.

Fica uma pergunta para nós: resta alguma coisa que nos prenda? O que temos feito de deus em nosso coração, algo que temos amado mais que ao Deus verdadeiro? Tem algo que nos prenda nos valores deste mundo? Pode não ser a riqueza, mas o desejo de possuí-la, ou nossos próprios desejos humanos, onde temos colocado toda a nossa força, nossos planos, nosso coração, com uma certeza que quando obtivermos, estaremos plenamente satisfeitos? Podemos ter o desejo ardente de fazer boas obras, com o intuito de sermos aceitáveis a Deus, mas este não é o desejo Dele. Precisamos compreender: qualquer coisa que se interponha entre nós e Ele não lhe serão agradáveis, e ficará a sempre a afirmação de Jesus para o jovem em nossas mentes: “só resta uma coisa, só falta uma coisa”.

Não importa o que façamos, ou falamos, mas o que faz a diferença são os motivos de nosso coração, onde o temos colocado e como temos dirigido frente aos planos e propósitos do Senhor para aqueles que são seus filhos. Não podemos ter nada que se interponha entre nós e o nosso Deus. O nosso coração (como de filhos que somos) deve estar voltado inteiramente para satisfazer aquele que nos resgatou do império das trevas, que nos libertou do poder do pecado, para nos fazer filhos, nos dar da Sua natureza, para vivermos segundo o Seu coração.

Compreender a expressão do amor do Pai, através do Seu Filho Jesus Cristo, deve ser o nosso maior objetivo, para que não tenhamos nada em nosso coração, em nossos objetivos e desejos que sejam maiores que servir, honrar e glorificar o nome daquele que nos amou primeiro. Quando compreendemos o amor do Senhor por nós, ficamos constrangidos, nos colocamos com um único desejo de servir, de honrar, de glorificar o nome do Senhor. E aprendemos a fazer isso, em cada situação de nossas vidas, em cada relacionamento que desenvolvemos, começamos a compreender que as ofensas, as diferenças de opinião não têm importância, que uma mágoa não é nada frente ao amor de Deus. Precisamos amar como o Senhor nos amou, devemos dar as nossas vidas, em favor das vidas que nos cercam. Dar a vida, não é morrermos no sentido literal, mas sim, abrirmos mão do que pensamos, desejamos, de nossas vontades, nosso orgulho. Nosso prazer tendo um único propósito: fazer com que o amor do Pai seja conhecido através de nossas vidas.

Ser filho, amar verdadeiramente o nosso Deus é não deixar que nada se coloque entre nós e Ele, é vivermos segundo o mesmo princípio de vida do Senhor Jesus, nos esvaziarmos de nós mesmos, de nossos desejos, de nossos sonhos, de nossa vontade, de nosso prazer, para viver intensamente a vontade e o querer de nosso Deus, e termos a certeza, que não só estaremos vivendo segundo o Seu coração como não existirá nada entre nós e Ele. Nosso coração é livre para amá-Lo e honrá-Lo.