Na história de Ló vemos a sua hesitação em sair da cidade. Por que da hesitação? Ao sair ele deixaria para trás tudo o que tinha conquistado. Todo o poder e posição que tinha. Não estava preocupado com o que tinha pela frente, mas sim, com o que deixava para trás. Ele era um homem justo e a sua atitude de receber foi correta, como também, a atitude de proteger aqueles que tinha recebido em sua casa, mas estava ele com o foco correto? Veja como estava reticente em deixar a cidade: “Ao amanhecer, apertaram os anjos com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, que aqui se encontram, para que não pereças no castigo da cidade. Como, porém, se demorasse, pegaram-no os homens pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade.” (Gênesis 19:15-16).
Na parábola do semeador, Jesus fala algo semelhante com relação a palavra que é plantada no coração das pessoas, mas um destaque especial para aqueles que se preocupam com as coisas desta vida, coisas que sabemos ser temporárias, diante do eterno oferecido por Deus aos homens; como está escrito: “A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si esmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera. Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. ” (Mateus 13:19-23).
O que precisamos entender, e termos bem claro em nossas mentes, que a questão não é a riqueza, em ser rico ou pobre, mas como tratamos os bens, as riquezas que temos em nossas mãos ou posição que ocupamos na sociedade. Não somos donos, proprietários, somosadministradores, instrumentos. Podemos ter pouco, mas ter a mesma atitude de um avarento, ou podemos ter muito, mas não termos o foco, confiança na riqueza e nem nos valores desta vida. Compreendemos isto?
A questão não é a abundância, mas sim o que priorizamos. Não se trata de ser rico ou pobre, mas o quanto ficamos facinados pelo que o mundo, no que nos está sendo oferecido e o quanto enchemos o nosso coração com estas coisas. Isto que precisamos entender. Nossa motivação, o que priorizamos em nosso coração. Não é uma questão de ter muito ou pouco, de fazer obras ou não, de parecer ou não justo aos homens, ter posição ou não. Não é esta a questão; mas sim, o que nos move.
Podemos não estar falando de riqueza, mas de conhecimento, do trabalho em si, do quanto colocamos o nosso coração. Podemos não estar falando de posição, cargo em uma empresa, mas o que fazemos para conseguir um “cargo” na igreja, na instituição humana que tanto fortalecemos. Compreendemos?
O nosso coração, tem e deve estar voltado completamente para o reino de Deus, para as prioridades do Pai, para o que o nosso Senhor considera importante. Tudo que temos que focar deve ser no eterno. As coisas desta vida, as posições que alcançamos, as responsabilidades que temos, tem um único propósito de atender o reino. Se nos são oferecidas, devemos aceitar, por causa do reino, somente por causa do reino e para glorificar a Deus. Tê-las ou perdê-las não faz a menor diferença; pois tudo é de Deus e para Ele.