Deus no contexto do casamento

 “Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gênesis 2:20-24, RA Strong)

Nós transformamos o casamento em algo tão vulgar, tão sem signficado, sem importância, que passou a ser mais um evento social, onde casamos hoje e descasamos amanhã como se fosse a coisa mais simples e fácil do mundo. Alegamos tantas coisas para descasarmos, como incompatibilidade, diferenças de gênios e tantos outros motivos. Todos calcados em um só: egoísmo, orgulho, arrogância, incapacidade da amar e ajudar. Mas qual o verdadeiro significado do casamento e qual a sua importância no contexto da criação de Deus e o que o nosso Deus deseja que aprendamos?

Primeiro ponto: os dois unirem e se tornarem uma só carne. Isto significa que requer uma mesma natureza, precisa, para haver o acasalamento, a união, o casamento, os dois terem a mesma natureza. Por isso, não foi encontrada em toda a criação, uma companheira que fosse idônea. Foi preciso, tirar do homem, da sua carne, e dela formar a mulher. A importância disto está no que Adão, expressou: “osso do meu osso, carne da minha carne”; ou seja, mesma natureza.

Segundo ponto: quando um casamento dá certo? Somente quando existe dos dois lados, homem e mulher, o desejo de abrir mão de si mesmo em favor do outro. Se não existir isso, nunca existirá casamento. No casamento, não pode ter orgulho, não pode ter egoísmo, não pode ter arrogância, prepotência e incapacidade de compreender os limites do outro. Se não conseguirmos deixar de olhar para nós, para o que somos, para o que desejamos, e olharmos para o outro e sua necessidade, nunca haverá casamento. Podemos até casar por motivos errados, por motivos egoístas, mas se permanecermos com estas motivações, não existirá casamento. Mas, tendo casado com a motivação certa ou errada, e ocorrer a mudança de atitude, deixando de ser egoísta, orgulhoso, prepotente, então poderá existir um casamento e um relacionamento que dure enquanto houver vida nos dois.

Precisamos entender que um casamento existe e perdurará enquanto houver, de ambos os lados, o desejo e a predisposição de não ser egoísta, de sempre pedir perdão, mesmo quando achar que se está certo, de olhar o ponto de vista do outro, de procurar compreender a necessidade e o desejo do outro. Enquanto houver este desejo em cada coração, o casamento irá durar e se fortalecer, construindo barreiras cada vez maiores para a entrada do egoísmo, do orgulho e da arrogância que tanto destrói lares e famílias.

Através do casamento Deus revela o seu propósito eterno para nós. O seu desejo de unir conosco, de fazer se um conosco (como expresso na oração de Jesus em joão 17). Mas para isso, precisamos ter a mesma natureza que ele. Por isso, na sua graça, proveu o meio e a forma, dando nos o seu filho, para que através da sua morte, pudéssemos alcançar o perdão, a purificação, a morte de nossa natureza humana, e o novo nascimento, nascimento do espírito, agora com  natureza de Deus.

O novo nascimento é o ato, de entregarmos o nosso coração para Deus, de reconhecermos que precisamos dele, que precisamos da vida dele, para viver e andar em sua presença, de confessarmos que andamos distantes, que vivíamos fora do seu propósito, em pecado, e que colocamos as nossas vidas em suas mãos  para vivermos agora conforme é do seu agrado. Ele é o mesmo que o evento do casamento, a festa das bodas, o dia em que conhecemos o nosso amado e nos colocamos prontos a viver eternamente com ele. Neste dia nascemos de novo, recebemos da natureza de Deus para andar com ele em sua presença.

O quanto este casamento irá cumprir o propósito de Deusr? Depende de nossas atitudes diante do criador, de deixarmos de ser crianças, e nos tornarmos espiritualmente adultos, de querermos crescer, de desejarmos que a vida de Deus se revele em nós e através de nós, em desejarmos que o que ele é, se manifeste em nós, e através de nós.

Para isso, precisamos morrer para nós mesmos, para o nosso orgulho, nossa arrogância, nossa prepotência, nossa vontade de querer viver a nossa própria vida. Assim, como em um casamento, precisamos abrir mão de nós mesmos, em favor da vida com Deus, precisamos fazer o mesmo, assim como ele fez por nós. Abriu mão do que era em nosso favor. Devemos, portanto, rejeitar a natureza humana, morrer para a natureza humana para viver segundo a natureza de Deus.

Andar com Deus é como um casamento, que começa com uma festa (o novo nascimento, quando somos preenchidos da vida de Deus), se consolida no nosso dia a dia, e será celebrado na vinda do Senhor, quando ele nos receberá para habitarmos com ele eternamente.

Como temos escolhido viver com Deus? Nossas vidas tem expressado a atitude que devemos ter? E com a mulher ou o marido que escolhemos, como temos escolhido viver o nosso casamento? Dispostos a morrer para nós mesmos em favor do outro?